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sábado, 5 de setembro de 2026

Um grito de morte na parada do Dia 7 da Independência

 Por João Bosco de Araújo

Jornalista ▶ boscoaraujo@assessorn.com

A parada do Desfile de 7 de Setembro transcorrera como nos anos anteriores, mas o ano de 1969 fora diferente porque foi nesse ano meu primeiro desfile formado pelos alunos do então Ginásio Estadual Joaquim Apolinar (GEJA), também foi o derradeiro, diante da ordem de dispensa nos anos seguintes. O fato é que encerrada a programação cívico-militar, já passava do meio-dia, momento de apreciar o retorno das pessoas que, tradicionalmente, se reuniam nas duas calçadas da Coronel Martiniano, tendo como principal avenida do centro de Caicó.

O calor daquela manhã nos convidava a amenizar o sol debaixo da sombra do pé de fícus da casa dos meus avós maternos, colada na bodega de José Teófilo, esquina da avenida Rio Branco com rua Augusto Monteiro, a dois quarteirões do local do desfile findo. Por diversas vezes, três rapazes montados em cavalos de raça cruzavam a esquina. Ainda carregavam as fitas que simbolizaram o grito dado pelo Príncipe Regente Luso de “Independência ou Morte”, na beira do riacho.

Bem ali perto, estava o Barra Nova, não o Ipiranga, e por alguns instantes ouviram-se o estampido, não de liberdade, era de morte, e um corpo estendido no chão. O homem caído, já sem vida, era Manoel Chicola, alvejado por disparos de balas dentro do estabelecimento comercial de Zé Teófilo, das Oiticicas, efetuados por “Cambitinha” (Francisco Medeiros Filho) e acobertado por outro cavaleiro, bem no estilo das fitas de faroeste exibidas no São Francisco, cujo cartaz e letreiros iluminados estampavam o filme da noite no cinema em frente ao crime, na outra esquina. 

Não fomos testemunhas do ocorrido por questões estratégicas, suponho, do próprio autor do episódio, pelo fato da presença do grupo de jovens debaixo da árvore - ou da saia da nossa avó Luzia Tavares. Éramos, eu, minha irmã Sueli, o namorado dela, Antônio Nilson, outras irmãs Salete e Sônia, meu irmão Gilberto, nossa vizinha Nevinha, sua irmã Gracinha, filhas do comerciante José Leônidas e outras pessoas que não me recordo mais. Foi apenas o tempo suficiente de sairmos do local.

Nossa residência, parede e meia à casa de vó Luzia, estava a cerca de 10 metros dos disparos que ecoaram rua afora, estendendo casa adentro, acompanhados de um silêncio tenebroso, que após frações de segundos foi rompido pelas pisadas compassadas fortemente sobre a calçada. Sutilmente, abro uma brecha da janela e vejo passar fugindo em alta disparada “Andorinha” (Vivaldo Melo), ainda garoto, da nosso idade, filho de Chico Melo, que morava do lado direito, perto do Serrote, mas desnorteado correu no sentido oposto. Ele estava peruando dentro da bodega e o zumbido das balas o martirizou por muito tempo, contava. Por pouco não foi alvejado, dizia Teófilo, posto do outro lado do balcão a conversar com a vítima.

Nesse ínterim, após acompanhar pela fresta da janela o “velocista” Andorinha (depois, rapaz ele foi trabalhar nos Correios, vindo a falecer de enfarte ainda moço) desloco o ângulo da vista para o outro lado e vejo a cena do crime. Manoel Chicola inerte ao chão, no pé do poste, e seu filho Mauricy a retirar, imediatamente, uma faca peixeira embainhada daquelas de marchante, com mais de 12 polegadas de tamanho. Chicola era comerciante desse ramo e tinha inimizade com o pai do homicida, Chico Medeiros, ex-prefeito caicoense, por questões de politicagem, muito comum na época entre dinartistas, de bandeira vermelha, e aluizistas, do lado verde.

Antes da execução, "Cambitinha" deixara o cavalo amarrado em outro poste do lado da Rio Branco. Em frente ficavam os armazéns de Manoel Chicola, de vendas de peixes e casa de jogos. Chico Cunha, rapaz solteirão, experiente, leitor assíduo de livros de bolso, salvou a vida de Mauricy. Segundo contava, ao ouvirem os disparos, o filho de Manoel correu em direção à porta fechada, barrado por Cunha, que o empurrou com os pés, fazendo-o cair ao chão, bem ao estilo dos mocinhos do filme, acreditava.

Ora, ao abrirem a porta, viram a dupla de cavalos em disparada, na direção do rio Barra Nova e o atirador a girar o revólver entre os dedos da sua mão, narravam. Pode-se imaginar a fidelidade cinematográfica e entender que se Chico Cunha não travasse àquela porta, o alvo das balas também teria acertado o filho do morto ao procurar defender o pai tombado. 

O local do crime ficou visitado por muito tempo, para matar a curiosidade de quem queria ver de perto os buracos das balas e o sangue na parede impresso pelas mãos do baleado, ao tentar se segurar do impacto que o empurrou, cambaleando até o chão da rua.

Cenas de uma Caicó violenta, de um 7 de Setembro que parou há 40 anos. Do outro lado da história, jovens caicoenses tombaram mortos, mas por ideário de independência, alvejados pela intolerância imposta pelo medo do imperialismo internacional, sob a custódia do regime de plantão.

- Texto publicado no Diário de Natal em 2009, nos 40 anos do fato ocorrido, na coluna "Contos do Meu Seridó", escrita por este jornalista.

Essa foto é ilustrativa do acervo da caicoense Criva Coelho e registra a banda do colégio CDS em desfile cívico e foi colorida para esta publicação com ajuda de IA

- Leia texto relacionado ao desfile: A primeira bicicleta de meu último Sete de Setembro


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sábado, 29 de agosto de 2026

AssessoRN celebra 20 anos com responsabilidade e compromisso com a verdade

 Em agosto de 2006, já finalizando o mês, começava a primeira postagem de ASSESSORN, hospedada no endereço zip.net, e quatro anos depois, em  2010 passou para o endereço atual repaginada com novo layout, migrando para www.assessorn.com, no domínio blogger.com, assim já são vinte anos compartilhando a informação com responsabilidade e credibilidade, marcas que nos deixam com mais vontade de seguir neste espaço digital, um projeto que mesmo sem pretensão me foi encorajado pelo amigo e colega jornalista Paulo Tarcísio Cavalcanti onde naquele tempo trabalhávamos nos Diários Associados: jornal Diário de Natal e rádio Poti, momentos de aprendizado e compromisso em fazer um jornalismo sério, seguindo aqui com o mesmo ideal de comprometimento com a verdade.  

Neste período, foram até hoje, 29 de agosto, perto de quatro milhões de acessos (3.702.282), desde o novo layout em 2010, porém somam-se 2.026.320 nos primeiros 10 anos, e em relação as postagens são mais de 15 mil (15.530), somando-se 6.320 entre 2006 e 2010, o que equivale a mais de 21 mil (21.850) postagens nesta data, com dados fornecidos pelo Blogger.

Desde o início, o perfil do blog mantém uma assessoria voluntária, disponibilizando conteúdos para postagens exclusivamente sem fins financeiros,  inicialmente criada com o lema “Assessoria com melhor acesso” aos fatos do cotidiano do estado do RN, e ao passar dos anos além do foco em notícias de interesse da comunidade potiguar - abrangendo também política, esporte, cultura, arte e ações sociais -, a página disponibilizou a publicação de crônicas, com artigos  deste editor e de outros parceiros do blog como o cantor, escritor e produtor cultural, Fernando Luiz.

Nas mídias sociais, a página assessorn.com mantém conteúdos desde 2014 no X, antigo Twitter, no Instagram e na rede Threads

Em 2016 comemoramos os 10 anos (confira), agora estamos com novo selo para celebrar os 20 anos, desde 2006, com a mesma proposta de AssessoRN.com: Acesse o RN, blog do jornalista João Bosco de Araújo.

Sigamos com responsabilidade e compromisso com a verdade! 






Confira nas imagens reproduzidas do blogger números absolutos dos países e mapas das postagens no globo terrestre.

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sábado, 15 de agosto de 2026

O trote da explosão de bomba na Cosern e a manchete do Edifício Palomo

 Por João Bosco de Araújo

Jornalista ▶ boscoaraujo@assessorn.com

Em uma foto resgatada pelo historiador potiguar Rostand Medeiros de uma imagem do prédio da Cosern, em Natal, no ano de 1980, ele registra um fato histórico ocorrido por conta de uma ligação recebida pela telefonista da empresa, na época estatal de energia elétrica do estado, já no início da tarde de uma sexta-feira, avisando que existia uma bomba dentro do prédio e seria explodida logo, logo!

Nem precisa explicar o pânico que se instalou a partir daquele instante, embora tudo não se passava de um trote de mau gosto, uma ligação falsa, hoje uma fake news, desbaratada pelas autoridades.

Esse episódio foi bastante repercutido, apesar de ainda não residir em Natal, e sim, na Paraíba onde estudava jornalismo em Campina Grande e me reporto a uma matéria para o Jornal da Paraíba na qual foi real e se tratava de uma manchete na capa desse matutino e repercutiu também por vivermos nesse período em um regime de exceção, controlado pelos militares.

O ano era 1978, o local onde residíamos, no centro de Campina Grande - o Edifício Palomo -, tem uma galeria de lojas no térreo bem movimentada e por mais de três dias um problema se agravava pela falta de água, acarretando transtorno no comércio e nos moradores do condomínio, muitos deles de escritórios e consultórios médicos.

Foi minha oportunidade como estudante de jornalismo de produzir uma matéria narrando o episódio. Chegando na faculdade apresentei o texto para um colega que trabalhava no jornal, ele gostou e só pediu para ajustar o título, porque seria quem assinaria a matéria, e depois percebi que estava evitando outro constrangimento como na verdade ocorreu.

O texto começava o lead como aprendiz da disciplina enfatizando os cinco itens de redação e estava explícito no corpo jornalístico contando o fato da falta d’água no prédio. O problema foi a manchete da capa do jornal que por si mesma resultou em lucro devido a quantidade de exemplares vendidos naquele dia, esgotando nas bancas.

O título em questão narrava em letras garrafais: “Bomba causa transtorno no Palomo”. Foi o suficiente para os “homens de plantão” chamarem o autor da reportagem explicar o motivo da manchete “marrom”, sensacionalista, embora não fora preso mas deram um “rela”, um puxão de orelha.

Pedi desculpa ao meu nobre colega pelo transtorno, ainda bem que ele mudou o título original: “Bomba causa pânico no Palomo”.

A bomba da caixa d'água!

Imagem reproduzida do Instagram de Ronstand Medeiros

Leia texto relacionado

Memórias de uma república de estudantes em um Consulado Caicoense

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domingo, 9 de agosto de 2026

PREPAREM-SE PARA UMA NOITE INESQUECIVEL

 Por Fernando Luiz*

Na próxima quinta-feira, dia 13, às 19h30, o auditório Onofre Lopes, da Escola de Música da UFRN será palco de um evento de suma importância para a memória musical do Rio Grande do Norte:  o Show “Várias Vozes, Um Só Canto - Especial Instrumental”. O espetáculo, que reunirá grandes nomes da música instrumental potiguar, será uma homenagem a Tico da Costa, cuja obra musical é um verdadeiro tesouro da música potiguar.

Tico da Costa, nascido em Areia Branca, teve uma trajetória musical que levou, através da sua obra multifacetada, o nome do nosso estado para diversos países, ao lançar inúmeros álbuns durante 40 anos de uma carreira marcada por uma versatilidade extraordinária, na qual ele lançou inúmeros discos e se apresentou em diversos países.

Ao longo dos quarenta anos em que construiu uma carreira fora do Brasil, Tico da Costa tornou-se o mais internacional dos artistas potiguares, fazendo turnês na Europa, nos Estados Unidos, na América Central, na América do Sul e na África. Antes de se mudar para a Itália, o talentoso potiguar percorreu o Nordeste brasileiro fazendo shows em teatros, universidades e escolas, desenvolvendo um estilo versátil e criativo que deixava as plateias encantadas. 

Compositor extraordinário, Tico se inspirava no cotidiano para compor suas canções, nas quais misturava elementos dos ritmos nordestinos com a Bossa Nova e o Chorinho. Excelente músico, intérprete e violonista, ele também compunha músicas instrumentais, construindo em sua trajetória um trabalho consistente e extraordinário, fascinando o público e os críticos como músico, compositor, intérprete e violonista. 

Desde sua primeira edição até hoje, o show “Várias Vozes, Um Só Canto” reuniu  mais de 700 artistas entre bandas de música, coros, cantores, atores, poetas, bandas filarmônicas, orquestras e músicos locais, nacionais (como Toninho Horta) e internacionais, banda de cordas da Itália do seu último trabalho em 2009, assim como o seu produtor e musicista nos Estados Unidos Olivier Glissant e a cantora francesa Do Montebello. O show, além de manter o compromisso anual de manter viva a chama da obra do músico Tico da Costa (desde a sua partida em 2009), já faz parte do calendário cultural da nossa cidade e do nosso Estado.

Na próxima quinta-feira, o espetáculo em homenagem a Tico da Costa terá a direção musical de Eduardo Taufic, que também será responsável pelos arranjos e estará à  frente de uma banda formada por ele próprio nos teclados, com Airton Guimarães no contrabaixo acústico, Darlan Marley na bateria e Ramon Gabriel nas percussões.

O tributo “Várias Vozes, Um Só Canto” - que chega à sua 13ª edição -, reunirá no palco do auditório Onofre Lopes nove talentosos instrumentistas do nosso estado:  Bruno Cirino na sanfona, Bruno de Lira no bandolim, Carlos Zens na flauta, Dyana Alves no violino, Eugênio Lima no violão, Jotapê no clarone, Paulo Silva no sax alto, Pedro Paulo no cavaquinho e Raquel Oliveira no sax soprano.

A poetisa Deth Haak será a responsável pela condução do espetáculo, como ocorreu nas edições anteriores. Além de músicas que fazem parte dos diversos álbuns que Tico da Costa lançou ao longo dos seus 40 anos de carreira nos Estados Unidos, Itália e Brasil, o tributo também terá músicas instrumentais inéditas do compositor. 

Até hoje já foram realizadas doze edições anuais ininterruptas do Show "Várias Vozes, Um Só Canto" em Natal e algumas cidades do interior do estado do Rio Grande do Norte, com espaços sempre lotados, atingindo um público de mais de 14.000 pessoas 

O Show “Várias Vozes, Um Só Canto - Especial Instrumental” é uma realização da Tico da Costa Produções e do Coletivo O Canto do Tico; conta com o apoio da EMUFRN e UFRN e com as parcerias da Arte Musical, De Oliveira Produções Musicais, Marreco Filmes, Inove e Poesia na Cabeça.

A obra monumental de Tico da Costa, embora tenha reconhecimento internacional, passou despercebida de grande parte dos potiguares. Agora chegou a hora de assistir, sem pagar nada, a um espetáculo musical precioso e com com grandes instrumentistas no qual se homenageará um artista a quem nosso estado deve muito. 

Com certeza, será uma noite inesquecível. Vamos lá!

Instagram: @fernandoluizcantor

*Fernando Luiz: Cantor, compositor, escritor e produtor cultural. Formado em Gestão Pública, apresenta o programa Talento Potiguar, aos sábados, às 12h na TV Clube RN


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sábado, 8 de agosto de 2026

“Oi pessoinha distinta, quer um siquilhinho”; Quem não se lembra?

 Doce Sequilhinho, quem não há de se lembrar?

Por João Bosco de Araújo

Jornalista ▶ boscoaraujo@assessorn.com  

Os caicoenses perderam terça-feira (27)*, uma figura folclórica muito querida entre tantas outras que a cidade conheceu nos últimos oitenta anos. Luiz Teixeira Dantas, seu nome de registro. Evidente que ninguém vai saber de quem se trata. Porém, ao se pronunciar Sequilhinho, todos logo saberão quem é. Sua voz mansa e carinhosa soava nas ruas de Caicó, idos atrás. De porta em porta saia oferecendo a venda de seus biscoitos, os deliciosos sequilhos, feitos de goma de mandioca.

“Olha o siquilhinho, meus amorzinhos”, gritava baixinho, e satisfeito pela compra aceita, retribuía sorrindo: “Obrigado, pessoinha distinta”.

Sequilhinho era realmente uma pessoa distinta, imune a malícia de seus semelhantes. Desprovido de posses financeiras, assim mesmo nunca deixava de participar das festas de rua, sempre bem alinhado, de camisa bem engomada e calça de linho. Os sapatos, bem engraxados. Às vezes, um pouco maior da medida do pé, mas não o impedia de dar uns passinhos de dança na praça da seresta da festa de Sant’Ana.

Sua alegria contagiava a todos, mesmo nesses últimos tempos com a idade já avançada e com sinais do Mal de Parkinson. Católico, desfilava vestido de branco na procissão de Sant’Ana e na Festa de Nossa Senhora do Rosário. Adorava assistir missas. E visitar os estúdios da rádio Rural para ouvir o locutor anunciar o seu nome.

Sem maldade no coração, feito uma criança, na madrugada-manhã desta terça, seu coração, cansado, resolveu não mais bater, parando e calando a voz que os caicoenses acostumaram a ouvir nas calçadas de suas casas, praças e avenidas: Olha o siquilhinho!

Aos setenta e sete anos, seu corpo foi sepultado em uma cova de cemitério nesta data de 28 de maio, mês de Maria, a mãezinha assim como ele a tratava, confiando-lhe na terra a sua purificação. Que Deus o tenha no Reino da Glória!

Na terra de Sant’Ana, quem não há de lembrar-se de um doce Sequilhinho?

*Sequilhinho morreu há 18 anos, no dia 27 de maio de 2008/Publicado no Diário de Natal e blogs da região no seu sepultamento.

Imagem retirada do instagram caicooficial em um evento de dança de rua 

e atualizada com ajuda de IA  

- Postagens anteriores em Assessorn.com: 2013 e 2015.

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quinta-feira, 9 de julho de 2026

Um dia revolucionário e de paz!

 O revolucionário nove de julho na história de um pai, Parabéns Maria Fernanda, Feliz Aniversário e Paz!

Em um desses escritos disse que nem sei se merecia ser pai. Foi para lembrar a data de seu aniversário, 9 de Julho.

Ainda insisto que não mereço tanto, por mais que me soe da mais pura paz e responsabilidade, ser chamado de pai. Sem comparação, painho. Pai, painho, não há tamanho carinho!

Foi assim que você, Maria Fernanda, entrou em minha vida, adotando-me painho. Conspiradamente, de fininho, sem protelação nem pretensão, o universo se modelou ao juiz da consciência, num processo de causas sem efeitos, princípio sem fim.  

Nesse intermédio, enfim, ser pai. 

Pai? Paz!

Imagens arquivo pessoal com ajuda de IA

Leia textos relacionados:

Os vinte anos na história de um pai sonhador

O revolucionário nove de julho na história de um pai

Pai ou herói, nem sei se mereço tudo isso!

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quarta-feira, 17 de junho de 2026

'O delegado sou eu!'

 Por Emanoel Barreto*

Eu o vi certa vez: bêbado, mirrado, bracinho fino erguido e indicador apontado para o alto, caminhava bradando uma inútil advertência: "O delegado sou eu! O delegado sou eu!" Ninguém contestava, até porque nele ninguém prestava atenção a não ser eu, em minha ingênua curiosidade de menino de seis ou sete anos; não sei se perplexo ou estranhamente fascinado por aquela cena que oscilava entre o ridículo e o comovente eu acompanhava com o olhar aquele homem trôpego e malvestido. Isso aconteceu em algum instante dos anos 1960.

Da minha casa eu o via seguir ladeira abaixo. Ele passava na calçada do outro lado da rua e seus gestos hoje me lembram um Carlitos torto e anônimo, um brasileiro pobre que se dizia autoridade.

Bem que eu poderia tê-lo presenteado (meninos, se você não sabe, podem tudo) com uma linda viatura policial que naqueles tempos eram chamadas de "tintureiras", para ele fazer valer sua disposição de Quixote e prender todo mundo. A tintureira seria toda pintada em preto e branco e Delegado poderia cumprir mandados, fazer flagrantes, capturar os maus. 

E mais: eu poderia pedir ajuda aos meus amigos Zorro e Tonto, Billy the Kid, Kit Carson, Roy Rogers, o Fantasma, Búfalo Bill, Águia Negra, Falcão Negro, Daniel Boone, Dom Chicote, Cavaleiro Negro, Kid Colt e, claro, Jerônimo, Aninha e Moleque Saci. Se a coisa ficasse muito feia poderia chamar o Rei Arthur e os cavaleiros da Távola Redonda, e mais: El Cid, o imperador Carlos Magno e os Doze Pares de França. Os mosqueteiros Athos, Porthos, Aramis e d'Artagnan também poderiam vir. Jamais me abandonariam.

Eles eram invencíveis, eram meus amigos e nunca se negariam a ajudar a mim e ao Delegado. Eu daria a ele um dos meus revólveres de plástico, quem sabe até mesmo um de metal, o mais bonito, o que disparava espoletas. 

Com essas armas eu mesmo prendi muitos bandidos que habitavam esconderijos imaginários somente conhecidos por mim. Eu tinha até uma estrela de xerife ganha numa promoção da Toddy, premiação chamada Patrulheiros Toddy. Eu era um Patrulheiro Toddy e bem poderia ter ajudado ao Delegado. Mas não fiz nada. Não chamei os caubóis, nem os grandes espadachins, não lhe dei a tintureira, não lhe dei meu revólver, não saí galopando a seu lado rua abaixo.  

Nada, nada, nada; somente o vi passar; tão desamparado, maltrapilho e tão bêbado, um pobre brasileiro e se perder na pesada ladeira.

E ele se dizia delegado. Ele só queria respeito. Porque tinha a autoridade de ser povo, pobre e cambaleante.

Após aquele dia nunca mais reencontrei o Delegado. 

E, acho, somente hoje descobri que ele também era meu amigo, e tão corajoso e firme como Jerônimo ou Zorro. 

Afinal, eu e o Delegado vivíamos em mundos próximos, universos imaginários, e queríamos ajudar, prendendo bandidos. Naquele tempo, além de querer prender bandidos, eu tinha outra paixão: queria ser arqueólogo, pensava em ir ao Egito e fazer grandes descobertas. 

Não fui. Fiquei aqui no Brasil vendo poderosos fazendo às vezes de faraó e ganhando muito dinheiro às custas da fé popular.

Hoje penso no meu amigo Delegado, reduzido a uma réstia de lembranças. 

E agora me vem, não sem um certo temor e uma fisgada de angústia: acho que quando ergo minha voz nestes textos de internet também estou descendo alguma ladeira e grito como o louco sublime: "O delegado sou eu! O delegado sou eu! 

O delegado sou eu!" 

Imagem reproduzida da Internet com efeito de IA

*Emanuel Barreto é jornalista, professor universitário, editor do Blog Coisas de Jornal

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sábado, 6 de junho de 2026

Sertanejo das raízes de vaqueiros do Umbuzeiro recebe homenagem!

Sertanejo das raízes de vaqueiros do Umbuzeiro,  "Bastinho" receberá homenagem neste domingo, 7 de junho - na festa do Padroeiro do Distrito Palma -, ele sobrinho-neto do vaqueiro "TIO JOCA", uma lenda viva dessa mesma terra de Umbuzeiro!

O Padroeiro da Palma é Santo Antônio, Distrito do município de Caicó, região do Seridó potiguar, cuja festa segue até o dia 14 de junho.

A seguir, o texto prestado pela família de Sebastião Antônio Costa para ser apresentado na ocasião da celebração:

VIVA O VELHO BASTINHO DO UMBUZEIRO!

Não é qualquer um que tem a coragem estampada no olhar e a bondade gravada no peito. Mas o senhor, seu Bastinho, é desses que a terra tem o privilégio de ver de pé — firme como um pé de umbuzeiro, que dá sombra, fruto e sustento mesmo no chão mais duro.

Nascido no sítio Ourives, filho de Maria Antônio e Manoel Salviano, o menino que um dia aprendeu a lidar com o gado virou lenda. Vivo. E ativo. Porque vaqueiro não se faz só com laço e rédea; faz-se com jeito, com braço, com coração. E o senhor, Bastinho, é o melhor vaqueiro desta região. Quem viu nunca esquece: derrubando boi no lombo do cavalo, ao lado do fiel companheiro Naninho, enfrentando o tal do "boi barbatão" — aquele que cospe fumaça pelas ventas. Quanto mais brabo, mais o senhor gosta.

Limite? O senhor nunca conheceu isso. Para o senhor, limite é palavra de quem nunca montou num cavalo e sentiu o vento na cara na Fazenda Pedreira. E como sente! Com 81 anos nas costas, ainda sai para campear gado. Não por obrigação, mas por amor. Porque ser vaqueiro não é o que o senhor faz — é quem o senhor é.

E que coração é esse, seu Bastinho? Aquele que acolheu Helena como companheira e com ela criou 12 filhos — cinco mulheres e sete homens — e ainda teve braços abertos para o 13º, Fábio, acolhido com o mesmo amor dos outros. Desse chão brotaram netos, bisnetos, um legado que só cresce.

A vida lhe mostrou a dor de sepultar a esposa, um filho de coração e outro biológico. Mas o senhor continua de pé. Erguido. Forte. Nossa maior força vem do velho Bastinho. Porque o senhor não é apenas um vaqueiro — é uma fortaleza com alma de Nordeste, coração de pai e peito de quem nunca desiste.

Salve Bastinho do Umbuzeiro! Vaqueiro, pai, avô, bisavô, exemplo. Enquanto o senhor campear, a história continua sendo escrita — no lombo do cavalo, no curral da Pedreira e na memória de todos que têm a honra de conhecer o senhor.

Viva seu Bastinho! Viva o vaqueiro imortal do Umbuzeiro, que é sobrinho-neto de uma lenda dessa mesma terra de Umbuzeiro, o “Vaqueiro Tio Joca”, das raízes e memória viva da luta do gado embrenhado na caatinga deste nosso amado e sofrido sertão!

Texto e foto enviadas pela família do homenageado

Leia textos relacionados:

- Os aboios de Tio Joca ecoam na memória de Umbuzeiro

- Pilão-deitado no fogo cruzado de Pedreira

O vaqueiro de "Dona Nanu" e os vaqueirinhos de minha memória!

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sábado, 25 de abril de 2026

O vaqueiro de "Dona Nanu" e os vaqueirinhos de minha memória!

 Por João Bosco de Araújo*

Jornalista ▶ boscoaraujo@assessorn.com

O tempo passa, mas a memória fica e podemos resgatar sejam nas conversas, nas visitas, e nesta era digital nas postagens compartilhadas de todos os perfis. Foi assim que visitei a Fazenda Timbaúba dos Gorgônio, com imagens do velho casarão que me rebobinaram ao tempo em que na infância a visitava presencialmente, porque a propriedade era vizinha a de meu pai, embora estivesse em território de Ouro Branco, no sertão potiguar.

O casarão foi construído pelo Capitão Gorgônio Paes de Bulhões, por volta de 1863, o patriarca da família, e era capitão mesmo, da então Guarda Nacional do Império brasileiro, a fazenda se destinava à criação de gado e dar apoio a negociação do boi para engorda, vindo do estado do Piauí.

Bem antes dessa época, o pai de Gorgônio e dono da Fazenda Umari, Cosme Pereira da Costa já fazia esse comboio de gado do Piauí; foi durante essas viagens que ele trouxe o vaqueiro Vicente Ferreira de Andrade que se tornou avô de minha avó Virgínia, mãe de meu pai Pedro Salviano de Araújo.

O vaqueiro Vicentinho era o braço direito do fazendeiro Cosme Pereira e sua descendência cresceu nas terras de Umbuzeiro onde se casou com Aninha da Pedreira, a fazenda dos Nóbrega, e era filha do irrequieto Cosme do Umari em uma de suas peripécias fora do casamento.

Dentre os vaqueiros herdeiros do famoso Vicentinho, o meu tio-avô João Ferreira, o “Tio Joca”, de inusitadas memórias de sua vida embrenhada no mato e passagens na história do Fogo da Pedreira, embate do bando do cangaceiro Antônio Silvino, no início do século passado.

Ainda no Século XX, na década dos anos sessenta, a Fazenda Timbaúda era administrada pela viúva de Zuza Gorgônio da Nóbrega, “Dona Nanu”, assim que era reconhecida e a vi em uma dessas visitas ao casarão ao lado de meu pai.

Nesse punhado de memória, vem a do vaqueiro Valdivino Chagas, esse, neto de Vicentinho, e seu pai Francisco Chagas foi soldado voluntário do Império e lutou na Guerra do Paraguai. Nem tão habilidoso como o avô Vicentinho e o primo Joca, Valdivino foi vaqueiro da Timbaúba dos Gorgônio, cumprindo também sua sina de homem do mato.

O vaqueiro Valdivino morava no Umbuzeiro, casado, era pai de muitos filhos e já fora dos campos, aposentado da lida de gado, não esqueceu da velha Timbaúda de todos nós, e a visitava sempre, e nesse percurso passava na casa de meu pai para uma prosa, que nunca faltava o convite para sentar à mesa na hora da refeição.

Nunca esqueci, o velho vaqueiro mantinha no ombro seu bornal, mesmo na mesa carregava à tiracolo e numa ocasião o vi enchendo o bisaco de comida e falava: "Compadre Pedro" - meus pais eram padrinhos de um de seus filhos -, "estou levando para meus vaqueirinhos e minha vaqueira, porque necessitam e aqui tem muita fartura."

Meu pai não hesitava e pedia a minha mãe para complementar com mais alimentos, já que no bisaco ele despejava apenas pedaços de rapadura e carne.

As memórias da velha fazenda Timbaúba também nos pertencem, cujo casarão é tombado patrimônio histórico-arquitetônico desde 1987 e suas atividades foram desativadas há cerca de 20 anos, início deste Século XXI.

Que as atitudes do sertanejo e vaqueiro Valdivino nos encorajem de manter a esperança de meu pai, de um olhar para o próximo.

Imagem retirada do instagram/serido_arretado

- Leia textos relacionados:

▶ Os aboios de Tio Joca ecoam na memória de Umbuzeiro

▶ Antigas memórias da velha Timbaúba de todos nós

▶ Pilão-deitado no fogo cruzado de Pedreira

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sábado, 4 de abril de 2026

Um Judas malhado e esquecido!

 Por João Bosco de Araújo

Jornalista  boscoaraujo@assessorn.com

Malhar o Judas nos tempos atuais tem se restringido, em boa parte, a protestos da população, sejam relacionados a fatos políticos e sócio-econômicos; não resta dúvida que o fato significa uma atitude coerente, reflexo da indiferença dos tais donos do poder.

Diferentemente do que acontecia no final dos anos sessenta, ainda criança, quando costumava passar o feriado da Semana Santa que eram os sete dias absolutos, no sítio do meu pai, em Caicó, com meus irmãos. No final da noite da Sexta-feira da Paixão, um grupo de pessoas, acompanhado de um sanfoneiro, saia com o Judas, feito de molambo e vestido de paletó, carregando-o nas costas, visitando as casas da redondeza, cujo objetivo, além da tradição da brincadeira, era de assustar aos desavisados, incluída nessa categoria as crianças. Que não era o meu caso.

Em algumas dessa casas, já fechadas com as pessoas dormindo, escolhia-se para dar uma parada e dançar. Nesse ínterim, aproveitando o descuido do dono, uma outra pessoa do grupo, sorrateiramente penetrava no galinheiro e furtava uma “penosa” para em outra ocasião cozinhar e comer a galinha, bebendo cachaça.

Um aspecto interessante, observado. O Judas também dançava, ou seja, a pessoa que o conduzia, geralmente um homem, saia com ele dançando na sala, no alpendre, quando a casa era maior, ou no próprio terreiro da casa. O que importava era a alegria da brincadeira.  

Nessa pisada, a farra seguia até o dia amanhecer, momento em que se reuniam em torno do boneco, para enforcar e estraçalhar o Judas, despedaçando e rasgando, ao ponto de ficar apenas pedaços de tiras de panos.     

Dias desses, da semana santa, em conversa com um dos organizadores de Judas dessa época sessentista, Manoel Cirino, hoje aposentado rural com 70 anos, morando em Caicó, me dizia por telefone da tristeza de ver as tradições se acabando. Cirino narrou-me fatos pitorescos, por ocasião do Judas da semana santa, ocorrido quarenta anos atrás. Ele lamenta dos jovens não se interessarem mais pelas tradições populares, e que as crianças de hoje não recebem essas informações dos adultos, crescendo vendo o que passa na televisão, por conseguinte, segundo observa, elas próprias são as principais vítimas desse processo, em muitos casos gerando violência e deseducando.

O aposentado Manoel Cirino nos seus setenta anos tem razão de reclamar, sem rancor nem saudosismo, apenas na condição de observador popular, de pessoa simples, porém com visão nos valores culturais de um povo, de uma região, de uma nação.

A brincadeira, uma tradição herdada dos portugueses, simboliza a morte de Judas Iscariotes, que traiu Jesus, e acontece no sábado de Aleluia, anterior à Páscoa, sempre começando a partir da meia-noite da sexta feira santa. 

Imagem ilustrativa reproduzida da Internet

JBAnota  Oportuno esclarecer que este texto foi publicado há 17 anos, em abril de 2009,  ainda no início da era digital, e que Manoel Cirino já não se encontra neste plano, partiu em 2022, perto dos 83 anos de idade

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sábado, 14 de março de 2026

ÁÁI, SIVIRINO!

 Por João Bosco de Araújo

Jornalista  boscoaraujo@assessorn.com

Minha Avó Luzia e meu Avô Severino são de São Mamede, sertão da Paraíba, que fica bem perto de Caicó, também sertão, mas do Rio Grande, como eles diziam para abreviar o nome do nosso estado se bem que o Norte nem precisaria ter sido incluído porque a fundação do Rio Grande do Sul fora duzentos anos depois. Deixemos esse babado para os historiadores, vou me atrelar aos meus queridos avós, e isso também já há um tempinho, cerca de 80 aninhos.

Como é fato, Luzia e Severino Tavares foram os pioneiros na fabricação e comercialização de chapéus de couro em Caicó há mais de noventa anos, desde 1932, cujo empreendimento dava sinais de êxito, portanto, começavam a se estabilizar, sendo mais fácil retornar às suas origens para rever amigos e familiares, aliás, além de trazer a mãe e os irmãos para Caicó, meu avó Severino fora responsável pela migração de outros parentes ao Rio Grande, alguns deles se instalaram na região, escolhendo Jucurutu, por conta da atividade, na época, de mineração.

Nas vezes que visitavam São Mamede, geralmente na festa da Padroeira da cidade, Nossa Senhora da Conceição, em dezembro, tudo se resumia em alegria, e não foi diferente neste ano, o casal acompanhado dos quatros filhos e o quinto na barriga de minha avó, prestes a nascer.

Meu avô prontamente fretou um carro para a viagem e minha avó se arrumou comprando objetos pessoais e roupa nova para a família, o caçula Tio Antenor, minha Mãe Alzira e meu Tio Chico, os adolescentes, e Tio Toinho o mais velho, rapazinho.

E seguem viagem rumo São Mamede, estrada de barro, ainda sem as chuvas, muita poeira e a vegetação cinzenta da caatinga, no entanto a sensação de felicidade corria naquele instante, mesmo o vento seco a bater pelas janelas do automóvel 

Restando poucos quilômetros da chegada, repentinamente ouvem-se aquele grito: “ÁÁI, SIVIRINO!!!”

O suficiente para o ágil motorista imediatamente brecar o veículo, vendo a passageira com um barrigão, a poeira cobrindo o carro e meu avô indagando: “O  QUE FOI, LUZIA!”

Para surpresa de uns e furzaca dos meninos, minha avó esbravejou: “DEIXEI A CABELUDA!” Meu avó não se titubeou e ordenou: “TOCA A VIAGEM, MOTORISTA”.

Tratava-se de uma bolsa bem chique que minha avó comprara para se apresentar na festa, um lançamento da época revestida de pelos de animais, ou seja, a cabeluda ficou pra trás!

Quer saber mais, ao voltar do passeio devolveu a dita cabeluda ao vendedor e nunca mais ninguém se esqueceu do grito de minha avó ecoando nas entranhas de serrotes, pedregulhos, juremas, cactos e poeira do sertão paraibano.

Minha Avó Luzia teve antes dessa barriga outro bebê, Maria de Lourdes que faleceu aos dois anos de idade, e o do grito faleceu aos seis meses, após nascer e ser batizado de Lourival, mas não em consequência do aparente susto, segundo meus tios e minha mãe, os dois sucumbiram por falta de assistência hospitalar. 

Imagem ilustrativa reproduzida da internet

Leia texto relacionado: Sertão chapéu de couro!

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