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sábado, 8 de novembro de 2025

Série Tio Antenor-2: Desfile Garota Bangu, numa noite quente dos anos 1950

 Por João Bosco de Araújo*

Jornalista ▶ boscoaraujo@assessorn.com

A data não me foi confirmada com precisão, mas foi em um daqueles efervescentes anos da década de 1950, de um mundo pós-guerra, cheio de esperanças e reconstrução. Para aqueles jovens de uma cidade do interior, a vida era um renascer a cada dia, de vibração, energia resplandecida na certeza de conquistar novos horizontes. Naquela pequena cidade, embora reconhecida como a terceira maior do estado, Caicó crescia com a força do progresso que se prenunciava, e estava na tela do cinema de Seu Clóvis, a exibir clássicos de fitas inesquecíveis da produção norte-americana; na política local, com nomes da região destacados no cenário estadual e até nacional. No seio da sociedade não era diferente, moças e rapazes viviam o glamour dos anos dourados.

Festas e promoções sociais eram organizadas na cidade, costume que se perpetuou, tanto que nos anos seguintes Caicó chegou a ter dez clubes sociais em toda a cidade. Mas naqueles anos, eram freqüentados o Atlético Tênis Clube e a sede social do Caicó Esporte Clube, dos pretos. O mundo dividia-se, também, nas cores da pele. Uma pena!

Mas não me faltam detalhes para esse pretérito relato, se bem que não tinha idade nem para as primeiras palavras, estava apenas engatinhando no corredor da casa do meu avô materno Severino Tavares de Araújo, fazedor de chapéu de couro em sua oficina da rua Augusto Monteiro, centro de Caicó. Quem me contou foi meu tio Antenor Tavares de Araújo, filho do meu avô. Titenor fora diretor social do Atlético Clube, cujo presidente era Abílio Félix.

Como diretor social, Antenor Tavares promoveu belíssimas festas, ainda nas lembranças e registros de fotos de seus contemporâneos. Foi Titenor o pioneiro na cidade a realizar o Baile das Debutantes e de tantos outros do calendário social, nunca faltando as surpresas. E nesse ínterim, organizam-se um desfile de modas. O patrocínio veio de fora, fornecedores de Recife, Pernambuco, que visitavam o comércio para a venda de tecidos. Bangu seria a etiqueta da moda e dez moças foram escolhidas para desfilarem na passarela armada no Tênis Clube.

Tudo como mandava o figurino. A festa da "Garota Bangu" foi sucesso total, inclusive de bilheteria. Ninguém esperava o inusitado. Dentre os organizadores da promoção, sempre estavam os colegas da turma do Ginásio Diocesano Seridoense, entre os quais o jovem João Diniz Fernandes, rapaz inteligente, namorador, que naquela noite quente não titubeou, segundo conta Titenor, o irrequieto João Diniz nem bem amanhecera o dia e já viajava para Natal. Na capital, deu uma grande farra com as meninas de Maria Boa, deixando para trás o caixa da festa vazio. Na volta, ganhou o nome que o imortalizou: João Bangu.

Meu Tio Antenor, que está com 76 anos de idade, não sabia da morte de João Bangu ocorrida no meio da semana. Ao avisá-lo, por telefone, lamentou a perda do amigo e colega, observando que por isso não o tinha mais visto lá pelo Hiper. Não fui seu aluno de matemática, porque fiz o ginasial no Joaquim Apolinar, mas quem tem 50 anos ou mais e estudou no Estadual (hoje CEJA), certamente que foi aluno do professor João Bangu. Sabia matemática como ninguém, ensinando com firmeza também para a vida.

*Texto publicado em 27 de janeiro de 2009, no Diário de Natal/DN Seridó e outros jornais como Tribuna de Notícias e blogs Becopress e assessorn.com e atualizo com essa série, cujo tio já não se encontra conosco, desde janeiro de 2020. 

Foto histórica: é oportuno destacar que esta foto da década dos anos cinquenta retrata os jovens caicoense, a partir da esquerda: Antenor Tavares, Ivone, Zé Santos, Chico Pindoba e Chico Elias, não sendo identificado o autor da fotografia.

Foto-2 de desfile em Caicó reproduzida do blog Tok de História

e imagem capa post meramente ilustrativa/reproduzida da Internet

- Leia também da "Série Tio Antenor":

▶ 1:"Os livros do meu Tio Antenor, cheios de boas vontades!"

©2025 www.AssessoRN.com | Jornalista João Bosco Araújo -  X/twitter @AssessoRN | Instagram:https://www.instagram.com/assessorn_

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Tio Antenor deixa saudades e alegria na memória de todos; Sepultamento nesta quarta em Natal

O Tio Antenor nos deixou, nesta tarde quente, de 28 de janeiro. Deus em Sua infinita misericórdia tenha piedade da alma dele e que descanse em paz! Vamos lembrá-lo, sempre, de sua alegria, irreverência, suas histórias hilariantes, bem-humoradas, suas danças, seus carnavais de Caicó, sua capacidade de profissional de vendas, um bom pai, bom marido, bom genro e generoso filho, sempre esteve presente com nossa avó, sua mãe Luzia, especialmente na velhice. Viveu a idade dela, 87 anos. 

Antenor Tavares de Araújo (15/11/1932- 28/01/2020), estava internado há 11 dias na UTI do Hospital Antônio Prudente, em Natal, com pneumonia, respirando por aparelhos, não resistindo à forte infecção pulmonar. Fumante inveterado no passado, nos últimos anos vinha sofrendo com seu pulmão debilitado, funcionando apenas 30% de sua capacidade.
   
Velório e sepultamento  

O corpo está sendo velado das 8h às 14h, desta quarta-feira (29), na rua São José, perto do Corpo de Bombeiros, em Lagoa Seca, com missa de corpo presente às 14h, e logo em seguida o cortejo para o sepultamento às 16h, no Cemitério Morada da Paz da Zona Norte de Natal - segue pela rua Tomaz Landim ou BR 101, Km 79, em direção a Extremoz e na fábrica Vicunha entrar à direita. Telefone 4002-2535).

Tio Antenor deixa a viúva Célia Valeije, dois filhos: Douglas e Bianca, e três netos (filhos de Douglas), a nora e o genro. O telefone de Bianca: (84) 99683-4757. Nas décadas de 1980 e 90 ao voltar de São Paulo foi comerciante em Natal, proprietário de loja de móveis e decoração, DOUBIAN, na av. Alexandrino de Alencar. 

Tio Antenor ou Titenor como chamávamos na infância, era o irmão caçula de minha mãe Alzira Tavares de Araújo, e foi o único filho de meus avós maternos nascido em Caicó. Os outros três, Tio Toinho Tavares (também falecido), mamãe e Tio Chico Tavares nasceram em São Mamede, na Paraíba.

Memória

Para relembrar de sua vida, especialmente no seu aniversário, escrevi textos aqui reproduzidos em meu Blog Assessorn.com:




Fotos reproduzidas da internet/arquivo assessorn.com

©2020 www.AssessoRN.com | Jornalista João Bosco Araújo - Twitter @AssessoRN

sábado, 15 de novembro de 2025

Série Tio Antenor-3: Titenor, o meu Tio pé de valsa!

 Por João Bosco de Araújo*

Jornalista ▶ boscoaraujo@assessorn.com

Sempre que vejo uma pessoa dançando bem, com estilo e elegância, lembro do meu Tio Antenor Tavares, irmão de minha mãe Alzira. “Titenor”  (era assim que os sobrinhos o chamavam em Caicó) viveu o auge dos anos cinqüenta no esplendor de sua juventude, promovendo festas e arranjando amigos por onde chegava. Rapaz pobre, com prestígio na sociedade local - meu avô Severino Tavares, pioneiro na região na arte de fazer chapéu de couro, migrado de São Mamede na Paraíba, educou os quatro filhos nos melhores colégios da cidade - , logo percebeu seu carisma em fazer novas amizades no ceio das melhores famílias, tanto que o seu talento o fez dirigente de clube social, criando e inaugurando festas, como o Baile das Debutantes.

Ainda em sua juventude criou blocos carnavalescos, escolas de samba, ao lado de Chico Pindoba, Chiquinho Avelino, sendo parceiro de Mané de Neném na alegria de autênticos foliões dos Carnavais de Ouro dos anos das décadas cinqüenta e sessenta. Nos anos seguintes, já nos salões paulistas, onde foi tentar uma vida melhor, dançou em clubes do Parque São Jorge (Clube Corinthians), Casa Verde, Bom Retiro, quando conheceu a neta de italianos e espanhóis, tornando-se sua esposa que lhe presenteou com dois filhos.

Mas nem por isso esqueceu sua terra Caicó. Foi assim desde o primeiro Baile dos Coroas, em que o amigo-anfitrião Darci Fonseca lançava a festa glamourosa em 1974, ainda hoje uma tradição que orgulha a sociedade caicoense. Já morando em Natal, nos anos oitenta, continuou freqüentando a Festa de Sant’Ana e como não poderia deixar de ser, o Baile dos Coroas. Ao ritmo de boleros, mambos e tangos, abrilhantava a mesa dos amigos, ao som contagiante da orquestra que emociona e faz sonhar.

Ainda hoje, os amigos José Nilson de Barros, Doutor Chiquinho (Francisco de Assis Medeiros), Alcimar de Ameida, Murilo de Brito, apenas para citar esses, pois são muitos, lamentam sua ausência na festa nesses quase dez anos e não cansam de pedir para que ele volte a participar do baile! Comerciante empreendedor, não soube enfrentar os passos do então novo programa econômico do país, o Real, escorregando e pagando alto o preço da queda.

No último dia 15 de novembro, Dia da República e de seu aniversário, Titenor completou 71 anos de idade. Sua irreverência não envelhece, nem sua vontade de viver.

Dia desses, em uma solenidade na capital, estavam João Bôsco Costa e o irmão Dadá, que ao cumprimentá-los, acrescentei: sou sobrinho de Antenor. Logo o prefeito retrucou, apontando para o irmão deputado, “meu Deus! Antenor, o pé de valsa?"É, sim, respondi, Titenor, o meu tio pé de valsa!

*Nota do autor: Esse texto foi publicado inicialmente em  janeiro de 2004 no Jornal Zona Sul, da capital, e posteriormente no Diário de Natal/DN Seridó, em agosto de 2008, e postagens de assessorn.com/. 


- Também uma HOMENAGEM a ele, Antenor Tavares de Araújo, hoje na data de seu aniversário, 15 de novembro de 1932, e nos deixou em 2020 (confira)

Imagem capa meramente ilustrativa/reproduzida da Internet e foto ao lado exclusiva arquivo familiar

- Leia também da "Série Tio Antenor:

▶ 1:"Os livros do meu Tio Antenor, cheios de boas vontades!"

▶ 2:”Desfile Garota Bangu, numa noite quente dos anos 1950”

©2025 www.AssessoRN.com | Jornalista João Bosco Araújo -  X/twitter @AssessoRN | Instagram:https://www.instagram.com/assessorn_

sábado, 1 de novembro de 2025

Série Tio Antenor-1: Os livros do meu Tio Antenor, cheios de boas vontades!

Por João Bosco de Araújo*

Jornalista ▶ boscoaraujo@assessorn.com  

Estava eu inclinado a ler a obra de Jacques Maritain? Não por acaso, mas pelas circunstâncias daquela ocasião. O certo é que nem sabia de quem se tratava. Na casa de minha avó Luzia uma pilha de livros encostada em um canto da oficina velha adornava aquele ambiente, sempre às portas fechadas, com outros objetos que dias outrora foram vividos, intensamente. Pequenos instrumentos de percussão, roupas de fantasias, latinhas vazias de lança-perfume, além de folhinhas de santos, cordão de crucifixo, etc. etc. Olha que o local não era tão pequeno e serviu de ponto de trabalho do meu avô Severino Tavares na fabricação de chapéu de couro.     

Então! Lá estava eu, minuciosamente, com um exemplar do filósofo francês debaixo dos olhos a ler, atenciosamente, sem pretensão de alcançar altos conhecimentos da matéria. Apenas pura curiosidade! O maior interessado, e dono daquela coleção de livros, estava longe dali e de seu objetivo principal, o meu Tio Antenor Tavares de Araújo. Titenor abandonara há tempos àquela leitura no Colégio Nóbrega, em Recife, onde fora seminarista no tradicional Mosteiro de São Bento, em Olinda. Reprovado em matemática, e na vocação, foge  alegando que não aprendera a matéria ensinada no Ginásio de Caicó (GDS), depois de um ano confinado na rigorosa Ordem Beneditina, em Pernambucano. Certamente que Deus o perdoou, sua vocação era outra.

De volta ao Seminário caicoense, ficou também pouco tempo, fugindo numa noite de Carnaval para um baile que acontecia em um clube da cidade. Padre João Agripino foi quem não o perdoou. Professor de Matemática no Ginásio Diocesano Seridoense, soubera, depois, de seu insucesso nos estudos e de sua defesa infeliz. Ao se encontrarem, deu-lhe um carão, reclamando do jovem ex-seminarista por ter lhe dedurado em Olinda pelo mal-ensino da matéria. O padre Agripino não merecia!

Estou eu, novamente, a retratar aqueles livros deixados para trás por meu tio. Comigo também não fora diferente. Deixei-os antes mesmo de tomar qualquer decisão que fosse àquela de Titenor, embora nunca tenha passado pela vontade de seguir a vocação seminarista. Ao menos deixara-me o interesse pela leitura. Confesso não ser uma vocação, mais ainda por uma necessidade e capricho de aprendizagem. Um esforço que, obrigatoriamente, me dá prazer.

Limitado ao meu conhecimento, ainda por cima filosófico, estava eu a retirar da leitura afinca de um livro de Jacques Maritain (1882-1973), de tantos outros de sua intensa obra publicada praticamente por toda a primeira metade do século 20, uma frase que me levou a copiar nos rodapés dos manuscritos escolares: “É a vontade e não a inteligência, por mais perfeita que seja, que torna o homem bom e direito”. Não recebi qualquer ensinamento acadêmico-escolar desse teórico tomista. Apenas uma frase, que deixei gravar no meu subconsciente com a vontade de não mais esquecer.

Não sei onde estão, hoje, os livros de Maritain do meu tio. Sei que fadado à mediocridade, sempre estive com a vontade de superar as adversidades. Vontade que me encoraja a enfrentar as dificuldades. Também sei que de uma legião de boas vontades o mundo está cheio. Faltam vontades de praticá-las. São muitos os que as praticam para o mau.

Um cérebro medíocre, sim. Mas com uma vontade danada de um coração bondoso! 

Imagem meramente ilustrativa reproduzida da Internet

*JBAnota - Inicio esta série em homenagem ao meu Tio Antenor Tavares de Araújo, que já nos deixou, assim como a irmã dele, minha mãe. O fato é que tio Antenor viveu intensamente desde a infância e juventude em Caicó, como em São Paulo, capital, onde se casou e em Natal quando retornou com a família. Nesse contexto, me repassou muitas histórias que as transcrevi em artigos. Esse texto de hoje foi publicado no Diário de Natal/DN Seridó, em 05/11/2008, mês de seu aniversário natalício, e publicado também em outras ocasiões aqui em assessorn.com e jornais.  

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sábado, 29 de novembro de 2025

Série Tio Antenor-4:”Treco, taracutreco, treco-teco, tantan, turu-tuntun!”

 Por João Bosco de Araújo*

Jornalista ▶ boscoaraujo@assessorn.com

Teria eu talento para a música? Não sei! Sei que por volta aí de uns oito anos de idade comecei a tocar tamborim. Quer saber como? Foi nessa época, já morando na rua (não nos canteiros) para as primeiras lições na escola de Dona Marizene, passando para a Escola de Aplicação de Caicó, no Instituto de Educação, que os meninos coleginhas rimavam cantarolando “entra burro e sai ladrão” (Inaugurado em 1960 pelo governador Dinarte Mariz, o prédio ainda cheirava a novo), que me descobri um percussionista se bem que nem seria esse o termo certo, pois menino brincava de puxar carrinho, jogar bola, biloca, pião, pular, rabugem, barra-bandeira e outro montão de brincadeiras, dependendo do período do ano e das férias.

O tamborim me apareceu meio por acaso e mais por curiosidade. Meu Tio Antenor Tavares, um carnavalesco autêntico, caicoense, antes de migrar para São Paulo, foi criador de blocos e de uma escola de samba que em companhia de “Chico Pindóba”, Chico Avelino, Miguelzinho (Miguel Elias Filho), “Arroz” (Hortêncio), Charles Garrido, “Zé da Gata” (José Benévolo Filho) e de outros rapazes competiam com a rival “Acadêmicos do Samba”, a escola de samba mais famosa da região, comandada por Manoel de Nenem, sem dúvida, a maior representatividade foliã seridoense de todos os tempos.  

E lá estavam o tamborim e outros instrumentos, e até restos de fantasias, encostados, sem a alegria de outrora, num canto de parede da velha oficina de chapéu de couro de meus avós maternos Severino e Luzia Tavares, da rua Augusto Monteiro, parede e meia com a Bodega de Zé Teófilo.

Sozinho, me vi no meio da avenida, na cadência de ritmos e vozes que repetiam aos ouvidos: “Balancei a roseira, balancei a roseira e a rosa caiu, ôu, ôu... Rosa tem espinhos, Rosa me traiu...”  

Por instantes, estava eu com o tamborim repicando e batucando àquela música que já ouvira no rádio de pilha da sala de visitas, sintonizado na amplitude modulada da Emissora de Educação Rural de Caicó. Pura emoção, uma energia contagiante me envolveu ao perceber que sabia tocar aquele instrumento, tão simples, feito de pedaços de madeira e de couro cru. Idêntica alegria de quando me vi assoviando pela primeira vez uma melodia.

Não segui ou persegui a aptidão que me aparecera, precocemente. Fui incompetente de assimilar uma vocação nata. Nos anos seguintes, já adolescente, por falta de condicionamento para a prática da educação física, a escola me ausentava das atividades, me dispensando das aulas e do desfile cívico do 7 de Setembro.

Sozinho, me vi obrigado a buscar algo que me compensasse àquela ociosidade. Formei um grupo com os amigos-vizinhos de rua. Cabecinha (William do Hotel Guanabara), meu irmão Gilberto, “Galego” (Jaciel) e Jurandir (filhos de Maria Cunha), Pedro e Paulo Afonso (filhos de Manoel Dantas), e da outra rua, meu primo Eugênio, Roberto de Anita e outros que não me recordo os nomes, seriam os componentes da bandinha de tambores de lata a tocar nas ruas, todas às noites e por todas as vezes que se aproximavam os ensaios dos alunos dos colégios para o desfile de aniversário da Independência do Brasil.

Como algumas escolas possuíam sua própria banda marcial, criativamente me dirigia ao local de consertos dos instrumentos e conseguia restos de couro para a nossa bandinha, pois o tarol  (não mais o tamborim), meu instrumento na banda que fazia o ritmo repicando com duas baquetas e comandava o resto do grupo acompanhado da marcação do bombo, esses teriam que ser necessariamente de couro. A indústria posteriormente aboliu esse produto na fabricação, uma medida ecologicamente correta. Completavam os instrumentos da nossa bandinha, latas e tubos de plásticos (mangueiras) que substituíam as cornetas.   

Hoje, é moda reciclar instrumentos e incentivar crianças e adolescentes para a prática da música, uma medida necessária assim como a prática desportiva, de inclusão social.

Não tenho e não toco mais o tamborim. Tenho, e toco, as lembranças. Tentando acalentar o sonho de um dia me ver na Sapucaí, no meio de uma bateria. Nem que seja uma bateria de alegria em plena avenida da ilusão.

Treco, taracutreco, tereco-teco, tam, paracumprum, turu-tuntum, turu-tuntum.

Olha aí, gente!

JBAnota  Esse texto foi publicado inicialmente no Diário de Natal em fevereiro de 2007, em pleno carnaval, e republicado também no Diário de Natal/DN Seridó em 2009, no dia 22 de fevereiro de carnaval e outras postagens de assessorn.com/.

FOTO-MEMÓRIA: Nesta foto, sem crédito autoral, Tio Antenor Tavares é o sétimo a partir da esquerda, e registra o Carnaval de Caicó, no Seridó do RN, na  segunda metade dos anos 1950, ou seja, há 70 anos, um folião autêntico, de uma Caicó doce e ainda que pequena mas enorme de pureza e candura! 

- Leia também da Série Tio Antenor:

▶ 1:"Os livros do meu Tio Antenor, cheios de boas vontades!"

▶ 2:"Desfile Garota Bangu, numa noite quente dos anos 1950”

▶ 3:"Titenor, o meu Tio pé de valsa!"

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sábado, 14 de fevereiro de 2026

Série Tio Antenor-5: ”É Carnaval e domingo é dia de comer filhós”

 A Barca num dia de comer filhós*

 Por João Bosco de Araújo

Jornalista  boscoaraujo@assessorn.com  

Recebo e-mail carregado de bolero, com a canção “La Barca”. Dicen que la distancia es el olvido / Pero yo no concibo esta razón
, estão nos primeiros versos da música mais executada de todos os tempos, até hoje, informa o texto na abertura da mensagem auditiva. Nem consigo imaginar o tempo que não ouvia um bolero. Acabaram com o romantismo, em tudo. Se bem, me lembro bem, bolero já não fazia a cabeça da minha geração pós Bossa Nova.

Mas, me lembro, tão bem, daquela radiola de balcão dos meus tios, na sala de visita da casa dos meus avós maternos. Criança, nem imaginar chegar perto. Tocava outras canções, mas nunca me esqueci dos boleros que meu tio os acompanhava batendo as pontas dos dedos de uma mão na outra fechada. Com a toalha sobre o ombro, ele esperava a hora do banho para o jantar. Eu, sentado na cadeira da sala, calado. Era a senha de estar ali.

Uma parede separava a casa da rua dos meus pais, da outra de meus avós, contudo, a sensação de ver e ouvir aquele disco bolachão a rodar segurado por uma agulha, me fascinava. Em outra ocasião, era o meu outro tio que ensaiava passos, sozinho pela sala, naquela sessão auditiva.

Tempos depois, final dos anos 1970, nas férias da faculdade, me deparo com um LP de Trini Lopez. Todas as faixas de clássicos boleros do célebre intérprete americano, filho de pais mexicanos. A música latina voltava a me contagiar com aquele álbum latino.

Na verdade, a música latina embalou a juventude de meus tios e de sua geração daqueles anos românticos da metade do século 20 da vida caicoense. Tanto assim, que décadas depois, Antenor e Chico Tavares ainda mantinham a alma latina.

Os discos e a radiola não faziam mais parte de suas vidas, embora carregassem consigo a paixão pela música e ritmo calientes. Bastava ver na alegria de Antenor Tavares dançando bolero, rumba, salsa, girando, elegantemente, com sua esposa Célia Valeije, nos salões da Festa e Baile dos Coroas, em Caicó.  

Cuando la luz del sol se esté apagando / Y te sientas cansada de vagar / Piensa que yo por ti estaré esperando / Hasta que tú decidas regresar.

Navegamos, se preciso foi, pois que a distância separa o tempo e ninguém há de imaginar de nunca se acabar a esperança, até que o sol possa um dia sua luz se apagar. Embarquemos, pois, mesmo que seja carnaval e domingo é dia de comer filhós.

JBAnota - Texto publicado no Carnaval de 2010 no Jornal de Hoje (em Natal), posteriormente no Jornal Zona Sul e outros blogs. *Comer filhós é uma tradição herdada de nossos colonizadores portugueses e muito comum entre os seridoenses, com a família reunida no Domingo de Entrudo, sinalizando o Carnaval e a Quaresma que se inicia na Quarta-feira de Cinzas.

Saiba aqui sobre essa foto histórica do carnaval de 1967. A imagem de filhós reproduzida da Internet

- Leia também da Série Tio Antenor:

1:"Os livros do meu Tio Antenor, cheios de boas vontades!"

2:"Desfile Garota Bangu, numa noite quente dos anos 1950”

3:"Titenor, o meu Tio pé de valsa!"

4:”Treco, taracutreco, treco-teco, tantan, turu-tuntun!” (Também sobre o carnaval)

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domingo, 15 de novembro de 2015

Os livros do meu Tio Antenor, cheios de boas vontades!

Por João Bosco de Araújo*
Jornalista boscoaraujo@assessorn.com  

Foto atual do Tio Antenor/JBA
Estava eu inclinado a ler a obra de Jacques Maritain? Não por acaso, mas pelas circunstâncias daquela ocasião. O certo é que nem sabia de quem se tratava. Na casa de minha avó Luzia uma pilha de livros encostada em um canto da Oficina Velha adornava aquele ambiente, sempre às portas fechadas, com outros objetos de que dias outrora foram vividos intensamente. Pequenos instrumentos de percussão, roupas de fantasias, latinhas vazias de lança-perfume, além de folhinhas de santinhos, cordão de crucifixo, etc. etc. Olha que o local não era tão pequeno e serviu de ponto de trabalho do meu avô Severino Tavares, na fabricação de chapéu de couro.     

Então! Lá estava eu, minuciosamente, com um exemplar do filósofo francês debaixo dos olhos a ler, atenciosamente, sem pretensão de alcançar altos conhecimentos da matéria. Apenas pura curiosidade! O maior interessado, e dono daquela coleção de livros, estava longe dali e de seu objetivo principal, o meu Tio Antenor Tavares de Araújo. Titenor abandonara há tempos àquela leitura no Colégio Nóbrega, em Recife, onde fora seminarista no tradicional Mosteiro de São Bento, em Olinda. Reprovado em matemática, e na vocação, foge  alegando que não aprendera a matéria ensinada no Ginásio de Caicó (GDS), depois de um ano confinado na rigorosa Ordem Beneditina, em Pernambucano. Certamente que Deus o perdoou, sua vocação era outra.

De volta ao Seminário caicoense, ficou também pouco tempo, fugindo numa noite de Carnaval para um baile que acontecia em um clube da cidade. Padre João Agripino foi quem não o perdoou. Professor de Matemática no Ginásio Diocesano Seridoense, soubera, depois, de seu insucesso nos estudos e de sua defesa infeliz. Ao se encontrarem, deu-lhe um carão, reclamando do jovem ex-seminarista por ter lhe dedurado em Olinda pelo mal-ensino da matéria. O padre Agripino não merecia!

Estou eu, novamente, a retratar aqueles livros deixados para trás por meu tio. Comigo também não fora diferente. Deixei-os antes mesmo de tomar qualquer decisão que fosse àquela de Titenor, embora nunca tenha passado pela vontade de seguir a vocação seminarista. Ao menos deixara-me o interesse pela leitura. Confesso não ser uma vocação, mais ainda por uma necessidade e capricho de aprendizagem. Um esforço que, obrigatoriamente, me dá prazer.

Limitado ao meu conhecimento, ainda por cima filosófico, estava eu a retirar da leitura afinca de um livro de Jacques Maritain (1882-1973), de tantos outros de sua intensa obra publicada praticamente por toda a primeira metade do século 20, uma frase que me levou a copiar nos rodapés dos manuscritos escolares: “É a vontade e não a inteligência, por mais perfeita que seja, que torna o homem bom e direito”. Não recebi qualquer ensinamento acadêmico-escolar desse teórico tomista. Apenas uma frase, que deixei gravar no meu subconsciente com a vontade de não mais esquecer.

Não sei onde estão, hoje, os livros de Maritain do meu tio. Sei que fadado à mediocridade, sempre estive com a vontade de superar as adversidades. Vontade que me encoraja a enfrentar as dificuldades. Também sei que de uma legião de boas vontades o mundo está cheio. Faltam vontades de praticá-las. São muitos os que as praticam para o mau.

Um cérebro medíocre, sim. Mas com uma vontade danada de um coração bondoso!

*Texto anteriormente publicado no Diário de Natal, em 2008, que saudei meu tio Antenor pelo seu aniversário, que neste 15 de novembro - Dia da Proclamação da República -, agora em 2015, ele comemora 83 anos de vida. Parabéns Titenor!

©2015 www.AssessoRN.com | Jornalista Bosco Araújo - Twitter @AssessoRN

domingo, 24 de maio de 2015

Desfile Garota Bangu numa noite quente ‘a la Maria Boa’

Desfile Bangu, numa noite quente dos anos cinquenta 

Por João Bosco de Araújo*
Jornalista boscoaraujo@assessorn.com  
  
A data não me foi confirmada com precisão, mas foi em um daqueles efervescentes anos da década de 1950, de um mundo pós-guerra, cheio de esperanças e reconstrução. Para aqueles jovens de uma cidade do interior, a vida era um renascer a cada dia, de vibração, energia resplandecida na certeza de conquistar novos horizontes. Naquela pequena cidade, embora reconhecida como a terceira maior do estado, Caicó crescia com a força do progresso que se prenunciava, e estava na tela do cinema de Seu Clóvis, a exibir clássicos de fitas inesquecíveis da produção norte-americana. Na política local, com nomes da região destacados no cenário estadual e até nacional. No seio da sociedade não era diferente, moças e rapazes viviam o glamour dos anos dourados.

Festas e promoções sociais eram organizadas na cidade, costume que se perpetuou, tanto que nos anos seguintes Caicó chegou a ter dez clubes sociais em toda a cidade. Mas naqueles anos, eram freqüentados o Atlético Tênis Clube e a sede social do Caicó Esporte Clube, dos pretos. O mundo se dividia também nas cores da pele. Uma pena!

Mas não me faltam detalhes para esse pretérito relato, final dos anos cinqüenta, se bem que não tinha idade nem para as primeiras palavras, estava apenas engatinhando no corredor da casa do meu avô materno Severino Tavares de Araújo, fazedor de chapéu de couro em sua oficina da rua Augusto Monteiro, centro da cidade. Quem me contou, depois, foi meu tio Antenor Tavares de Araújo, filho do meu avô. Titenor fora diretor social do Atlético Clube, cujo presidente era Abílio Félix.

Como diretor social, Antenor Tavares promoveu belíssimas festas, ainda nas lembranças e registros de fotos de seus contemporâneos. Foi ele o pioneiro na cidade a realizar o Baile das Debutantes e de tantos outros do calendário social, nunca faltando as surpresas. E nesse ínterim, organizam-se um desfile de modas. O patrocínio veio de fora, fornecedores de Recife que visitavam o comércio para a venda de tecidos. Bangu seria a etiqueta da moda e dez moças foram escolhidas para desfilarem na passarela do Tênis Clube.

Tudo como mandava o figurino. A Festa Garota Bangu foi sucesso total, inclusive de bilheteria. Ninguém esperava o inusitado. Dentre os organizadores da promoção, sempre estavam os colegas da turma do Ginásio Diocesano Seridoense, entre os quais o jovem João Diniz Fernandes, rapaz inteligente, namorador, que naquela noite quente não titubeou e, segundo Tio Antenor, o irrequieto João Diniz nem bem amanhecera o dia e já viajara para Natal. Na capital, deu uma grande farra com as meninas de “Maria Boa”, deixando para trás o caixa da festa vazio. Na volta, ganhou o nome que o imortalizou: “João Bangu”.

Meu tio, que está com 76 anos de idade, não sabia da morte de João Bangu ocorrida no meio da semana. Ao avisá-lo, por telefone, lamentou a perda do amigo e colega, observando que por isso não o tinha mais visto lá pelo Hiper.

Não fui seu aluno de matemática, porque fiz o ginasial no Joaquim Apolinar, mas quem tem 50 anos ou mais e estudou no Estadual (hoje CEJA), certamente que foi aluno do professor João Bangu. Sabia matemática como ninguém, ensinando com firmeza também para a vida. 

*Texto originalmente publicado no Diário de Natal em janeiro de 2009, caderno DN Seridó 

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domingo, 23 de fevereiro de 2020

Domingo de entrudo, dia de comer filhós, de saudades do Tio Antenor!

Neste domingo de Carnaval, dia de comer filhós, de saudades do Tio Antenor Tavares de Araújo, que nos deixou há menos de um mês!

Foto pesquisa Google/divulgação  

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domingo, 2 de março de 2014

Taracutreco, tereco-teco, tantan, turu-tuntun!

Por João Bosco de Araújo
Jornalista boscoaraujo@assessorn.com  

Teria eu talento para a música? Não sei! Sei que por volta aí de uns oito anos de idade comecei a tocar tamborim. Quer saber como? Foi nessa época, já morando na rua, para as primeiras lições na escola de Dona Marizene, passando para a Escola de Aplicação de Caicó, no Instituto de Educação, que os meninos coleginhas rimavam cantarolando “entra burro e sai ladrão” (Inaugurado em 1960 pelo governador Dinarte Mariz, o prédio ainda cheirava a novo), que me descobri um percussionista, se bem que nem seria esse o termo certo, pois menino brincava de puxar carrinho, jogar bola, biloca, pião, pular, rabugem, barra-bandeira e outro montão de brincadeiras, dependendo do período do ano e das férias.

O tamborim me apareceu meio por acaso e mais por curiosidade. Meu Tio Antenor Tavares, um carnavalesco autêntico, caicoense, antes de migrar para São Paulo, foi criador de blocos e de uma escola de samba que em companhia de “Chico Pindóba”, Chico Avelino, Miguelzinho (Miguel Elias Filho), “Arroz” (Hortêncio), Charles Garrido, “Zé da Gata” (José Benévolo Filho) e de outros rapazes competiam com a rival “Acadêmicos do Samba”, a escola de samba mais famosa da região, comandada por Manoel de Nenem, sem dúvida, a maior representatividade foliã seridoense de todos os tempos.  

E lá estavam o tamborim e outros instrumentos, e até restos de fantasias, encostados, sem a alegria de outrora, num canto de parede da velha oficina de chapéu de couro de meus avós maternos Severino e Luzia Tavares, da rua Augusto Monteiro, parede e meia com a Bodega de Zé Teófilo.

Sozinho, me vi no meio da avenida, na cadência de ritmos e vozes que repetiam aos ouvidos: “Balancei a roseira, balancei a roseira e a rosa caiu, ôu, ôu... Rosa tem espinhos, Rosa me traiu...” 

Por instantes, estava eu com o tamborim repicando e batucando àquela música que já ouvira no rádio de pilha da sala de visitas, sintonizado na amplitude modulada da Emissora de Educação Rural de Caicó. Pura emoção, uma energia contagiante me envolveu ao perceber que sabia tocar aquele instrumento, tão simples, feito de pedaços de madeira e de couro cru. Idêntica alegria de quando me vi assoviando pela primeira vez uma melodia.

Não segui ou persegui a aptidão que me aparecera, precocemente. Fui incompetente de assimilar uma vocação nata. Nos anos seguintes, já adolescente, por falta de condicionamento para a prática da educação física, a escola me ausentava das atividades, me dispensando das aulas e do desfile cívico do 7 de Setembro.

Sozinho, me vi obrigado a buscar algo que me compensasse àquela ociosidade. Formei um grupo com os amigos, vizinhos de rua. Cabecinha (William do Hotel Guanabara), meu irmão Gilberto, “Galego” (Jaciel) e Jurandir (filhos de Maria Cunha), Pedro e Paulo Afonso (filhos de Manoel Dantas), e da outra rua, meu primo Eugênio, Roberto de Anita e outros que não me recordo os nomes, seriam os componentes da bandinha de tambores de lata a tocar nas ruas, todas às noites e por todas as vezes que se aproximavam os ensaios dos alunos dos colégios para o desfile de aniversário da Independência do Brasil.

Como algumas escolas possuíam sua própria banda marcial, criativamente me dirigia ao local de consertos dos instrumentos e conseguia restos de couro para a nossa bandinha, pois o tarol (não mais o tamborim), meu instrumento na banda que fazia o ritmo repicando com duas baquetas e comandava o resto do grupo acompanhado da marcação do bombo, esses teriam que ser necessariamente de couro. A indústria posteriormente aboliu esse produto na fabricação, uma medida ecologicamente correta. Completavam os instrumentos da nossa bandinha, latas e tubos de plásticos (mangueiras) que substituíam as cornetas.  

Hoje, é moda reciclar instrumentos e incentivar crianças e adolescentes para a prática da música, uma medida necessária assim como a prática desportiva, de inclusão social.

Não tenho e não toco mais o tamborim. Tenho, e toco, as lembranças. Tentando acalentar o sonho de um dia me ver na Sapucaí, no meio de uma bateria. Nem que seja uma bateria de alegria em plena avenida da ilusão. Taracutreco, tereco-teco, tantan, paracumprum, turu-tuntum, tam, turu-tuntum.
Olha aí, gente!
[Foto da época, de acervo familiar]
JBAnota Esta foto, retirada da página do Facebook de minha prima Elinete, foi mais uma oportunidade para a republicação deste artigo, retratando, exatamente, a época do bloco carnavalesco de meu Tio Antenor, que neste domingo de Carnaval rendo homenagem a ele, hoje morando em Natal, e também ao maior folião caicoense, Manoel de Neném  (in memoriam), sem esquecer Genival das “Malas” (também em memória) que por muitos anos conduziu o “Bloco do Lixo” pelas ruas de Caicó, inclusive era quem saía com o Zé Pereira na madrugada do sábado de Carnaval. Seu Ala Ursa foi inspiração para o Magão, que deu continuidade com o Bloco saindo do Poço de Sant’Ana e hoje esse sucesso extraordinário do grande Carnaval de Caicó dos tempos atuais.

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