Por João Bosco de Araújo
Jornalista ▶ boscoaraujo@assessorn.com
Tio Chico e a família moram no Distrito Federal, dos filhos de meus avós Severino e Luzia era o que ainda estava vivo, com 95 anos, minha mãe falecera com a mesma idade há dois anos.
Das boas lembranças, são as mais preciosas e eternas, as tenho com muito apreço e gratidão, confesso da reciprocidade, em especial quando fui morar em Brasília para trabalhar e sua acolhida me animou nessa nova etapa da vida.
No meu retorno a Natal transferido do trabalho, assim mesmo o tio nos dava a alegria de reencontrar durante a festa da padroeira de Caicó, por ser um “peregrino de Sant’Ana” como gostava de dizer e não deixava de vir, todos os anos.
Ainda criança, em Caicó, me lembro de sua radiola de balcão, na sala da casa dos meus avós, nem imaginar chegar perto. Tocava outras canções, mas nunca esqueci dos boleros que ele os acompanhava batendo as pontas dos dedos de uma mão na outra fechada.
Com a toalha no ombro, esperava a hora do banho para o jantar. Eu, sentado na cadeira, calado. Era a senha de estar ali. Na verdade, a música latina embalou a juventude de meus tios e de sua geração daqueles anos românticos da metade do século 20 da vida caicoense.
Como bem disse, as boas lembranças são primordiais para nos eternizar, embora o tio também passasse por momentos difíceis em sua trajetória, desde sua ida para Brasília ao sair de Caicó, em 1969, porém as venceu e foi muito feliz ao lado de sua esposa Lúcia e dos filhos Robinson, Valflan, Walbinson e Roilson, e os netos, todos morando em nossa capital federal.
Descanse na paz do Senhor, meu querido tio, que nosso Deus de infinita bondade tenha misericórdia de sua alma, que nossa fé nos dê alento e nos conforte neste momento de sentimento pela sua ausência, mas que as boas lembranças vividas ao seu lado sejam eternizadas.
Fotos de arquivo da família e exclusiva com montagem por IA


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