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domingo, 30 de novembro de 2025

“EU TE AMO, EU TE VENERO”

 Por Fernando Luiz*

Talvez para a juventude de hoje, frases como eu te amo ou eu te venero sejam abomináveis, no mínimo “caretas”. 

Os jovens adolescentes dos dias atuais carecem de romantismo, apesar de terem à sua disposição uma verdadeira parafernália tecnológica e facilidades impensáveis há alguns anos. 

Embora pareça fora de moda, ser romântico é algo essencial à vida, aos sonhos, aos desejos humanos. Em termos musicais, é claro que jamais poderemos exigir dos jovens que apreciem frases ou expressões que eram comuns há algumas décadas, ou que curtam e dancem músicas que mexam mais com os sentimentos do que com os músculos. Um Pena. Mas o que fazer? Atualmente, nesses tempos de redes sociais implacáveis e consumo desenfreado, o movimento (do corpo) é mais importante do que o sentimento (da alma) e ter bens materiais, para muitos, muito mais importante do que ser portador de qualidades morais; esse modelo influencia muito – e negativamente – os nossos jovens.

O gosto comum dos jovens enfrenta, nos dias de hoje, um problema: o romantismo nas músicas foi substituído por uma espécie de vulgaridade onde a figura feminina é bastante vulgarizada. Para grande parte dos nossos adolescentes, divertir-se significa “raparigar” beber em excesso e dança forró “de plástico,” (como afirmou Chico Cézar). Não tenho nada contra nenhum estilo musical, mas o chamado forró urbano, que os estudiosos – com razão – acusam de descaracterizar o autêntico forró nordestino, também trouxe, por incrível que pareça, algumas vantagens: gerou renda para muitos artistas e freou a invasão de músicas estrangeiras nas emissoras de rádio. Mas com o crescente uso de expressões como raparigar e beber cachaça, a coisa ficou perigosa. Sabemos que os jovens cantam e dançam esse tipo de música apenas para se divertir, mas nelas há ideias embutidas, imperceptíveis para a grande maioria deles: trata-se de um incentivo velado ao machismo, à desvalorização da figura feminina e ao consumo de álcool. A mídia e as redes sociais criam ícones, ídolos de papel, bodes expiatórios, vítimas, heróis (às vezes, falsos heróis) e sempre está do lado do que é compatível com seus interesses.

Toda “onda” musical tem os dias contados. No fundo, já ocorreram certas mudanças no conteúdo de algumas músicas preferidas dos jovens. Aos poucos, músicas de expressões chulas começaram a ceder espaço para canções com temas mais românticos.

“Eu te amo, eu te venero” é o título de uma música do falecido cantor Paulo Sérgio, gravada nos anos setenta. 

Pessoalmente, torço para que nas músicas atuais, as expressões musicais “modernas” raparigar e beber cachaça” sejam substituídas por expressões “bregas” como “eu te amo, eu te venero”. Para o bem dos nossos jovens.

Instagram: @fernandoluiznatal

*Fernando Luiz: Cantor, compositor, escritor e produtor cultural. Formado em Gestão Pública, apresenta o programa Talento Potiguar, aos sábados, às 8h30 na TV Ponta Negra, afiliada do SBT no RN.


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