Por João Bosco de Araújo
Jornalista ▶ boscoaraujo@assessorn.com
A seguir, transcrevo esse texto do dia dos pais de 2009, ano em que meu pai Pedro Salviano de Araújo faria 102 anos, ele nasceu dia 29 de junho de 1907.
Pai é pai; é paidégua!
"Não tenho mais idade de ficar pendurado nos braços de meu pai. Também pudera, ele não vive mais neste mundo de mortais. Mas vivo pendurado nas suas recordações! Quem mandou ser ele um paizão? Dos sete filhos que deixou, também sei da possibilidade de ter contraído outros sete, vezes sete por onde andou em terras pernambucanas e caminhos deste sertão, montado em lombo de burro durante vinte anos.
Não tenho as provas, só as trovas. Parou aos 40, para se casar com minha mãe, véspera dos anos 1950, recomeçando vida nova no torrão onde nasceu, para nunca mais sair. Seu pedaço de terra no Umbuzeiro era um todo de sua vivência, em pleno sertão caicoense.
Não sei se por eu ter os traços dele – mais do que os outros filhos –, ele me reservava atenção especial, que me regozija a manter essa afinidade infinita. Cumplicidade de pai e filho. Revelava-me, sabiamente, laços de seus ancestrais, suas andanças, esperanças; apontava caminhos de retidão, labutas, crenças, desavenças, paixões. Que pensamento poderia frasear: 'O Brasil é grande, o mundo é pequeno!'
Pai só se tem uma vez. E tem que viver como muita paixão. Emoção que um dia transcrevi, rabiscando numa folha de caderno e anotei:
Travessa, Travessia
Travessando a porteira eu cantei
Sorri, brinquei, chorei
Travessando a fronteira eu rezei
Senti, pensei, estudei
Travessando a ponte...
Eu não sei.
Faz pouco tempo que eu cheguei
Ainda não sei como se foi
É tanto tempo que passei
Distante daquele que me pôs.
A exemplo de meu velho e amigo Pai Pedro Salviano de Araújo, de tantas vidas por mim e a seus outros filhos, meus irmãos, dedicou com afinco, sem limites, sem restrições, na certeza do dever cumprido nesta terra como pai.
Um Paidégua, no melhor sentido da palavra.
Que Deus Pai abençoe a todos os pais, de todas as terras. Amém!"
- E salve, salve nossas amadas mães de todos os credos e vivências!
Fotos reproduzidas de álbum da família: casamento em 1947 e no detalhe 30 anos depois, no casamento da filha Salete em 1978
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