Da janela do hotel dava para ver Ponta Negra, que uma vez escalei
Foto: Cláudio Abdon/Arquivo página fotógrafo
Natal estava sob chuva
quando cheguei tarde da noite mas amanheceu ensolarada. Da janela do hotel dava
para ver a Ponta Negra, que uma vez já escalei com muita vertigem (invejo
Zuenir e Mary, capazes de subir dunas verticais sem se sentirem numa cena de
“Gravidade”). Sempre achei o nome Ponta Negra misteriosamente apropriado. Uma
razão mais lógica deve existir para a nomeação, mas a mim me parece que esse
evoca a solenidade da vista. “Ponta” descrevendo a forma geográfica e “negra”
dando o tom grandioso. A palavra “negro” sugere uma preciosidade que “preto”,
seu sinônimo, não suporta. Sendo ambas o nome da cor (ou ausência de cor) dos
objetos de que a luz não volta, “preto” traz à mente algo fosco e pedestre,
enquanto “negro” anuncia brilho e mistério. Se se fala de um vestido preto,
pode-se estar falando de uma peça de roupa que se usa em qualquer lugar. Mas um
vestido negro é necessariamente um traje para ocasião especial, festa noturna e
de gala, ou vestimenta ritual de monjas e bruxas. Clique aqui para continuar lendo.
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