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domingo, 28 de abril de 2013

Peitica, Umbuzeiro e as oiticicas

Por João Bosco de Araújo
Jornalista boscoaraujo@assessorn.com  
 
Tardezinha. O sol começa a se esconder por trás das juremas, favelas, o cinzento mufumbal.
 
Mas foi de longe, debaixo da verdejante oiticica, que surge a imagem de um homem. Alto, cabelos compridos, barba também. Uma figura diferente do habitual. 
 
Chega o trabalhador, vindo do campo de algodão. Repete o que todos já miravam lá debaixo da grande oiticica. Assustado, avisa, apontando para o algodoal, descrevendo que vira um homem sujo, mal cuidado e que parecia muito com um doido.
 
Passado o susto, o homem é conduzido até a casa onde todos estavam, na fazenda Umbuzeiro. Foi quando descobriu-se que àquela pessoa sem rumo, destino ignorado, porém com o desejo firme de fugir, tratava-se do filho de Antônio Peitica, que realmente passava por sérios problemas psicológicos. Tanto que em Caicó, onde morava na cidade, ficou anos confiscado em um quarto gradeado de sua residência. Posteriormente, recuperado, já idoso vive no convívio com a família.
 
Foi na sombra da oiticica que o filho fujão de Antônio encontrou abrigo. Não apenas o “doido” Peitica, mas uma infinidade de transeuntes, trabalhadores rurais, animais e bando de aves que nela gorjeiam em pleno sol do meio dia, de um sertão seco e verão abrasador.
 
O escritor Pery Lamartine, das terras do lado leste do Umbuzeiro – a velha Timbaúba dos Gorgônios que chega pela estrada-vereda do Serrote das Panelas, cortando as pedreiras –, descreve com estilo em seu livro ‘Velhas Oiticicas’, essa árvore lendária e mitológica.
 
“Troncos de uma grossura descomunal eram retorcidos pela ação do tempo. Tinham galhos laterais brotados ao nível do chão, inclinados e projetados para cima, nuna ânsia de crescer. Lá no alto, as copas se encontravam formando uma imensa sombra impenetrável que nem os dardos dos raios solares conseguiam atravessar".
 
Em pleno auge da rica cultura algodoeira, separavam-se enormes terrenos denominados campos para o plantio do algodão, mas nenhuma oiticica era queimada, preservando a sua existência, diferente da realidade atual, cujo desmatamento desordenado está dizimando as velhas oiticicas, qual alma penada sem guarita para uma assombração.

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Um comentário:

  1. Oportunamente, nosso Revil Alves em contato com o blog lembra que o filho de Antônio “Peitica” é seu tio Onildo Cunha que no dia 16 de outubro deste ano fará 80 anos de idade. O pai dele chamava-se Antônio (Peitica) Cunha, avô materno de Revil, que era de Timbaúda dos Batistas. Está dado o recado, meu caro e nobre colega Revils Alves.

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