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segunda-feira, 15 de junho de 2015

A avenida dos caicoenses

*Por Fernando Antonio Bezerra

Foto: pesquisa acervo/divulgação

A rua grande recepciona, em Caicó, uma homenagem ao Coronel Martiniano, ou melhor, a Joaquim Martiniano Pereira, filho do casal Antonio Pereira Bolcont e Josefa Maria da Conceição. Joaquim nasceu na fazenda São Nicolau, em Caicó, no dia 16 de outubro de 1865, e faleceu aos 23 de julho de 1923 em Campina Grande-PB. Segundo pesquisa de Eromar Batista de Araújo, Coronel Martiniano foi Prefeito de “1905/1907, sendo reeleito para o período seguinte: 1908/1910”. No período de 1914/1915, retornou ao cargo, mas, em seguida, renunciou em favor do Vice-Presidente da Intendência, Gorgônio Ambrósio da Nóbrega.

A rua grande foi, pouco a pouco, deixando de ser residencial e se tornando na principal avenida comercial de Caicó e endereço de importantes estabelecimentos bancários. De tudo, ao longo do tempo, lá era ofertado... Nos anos 80, por exemplo, sem prejuízo de outras lembranças, havia uma diversificada praça da alimentação que ia do caldo de mocotó em Inês de Borges à Churrascaria Mandacaru de Joaquim Fernandes, com direito a picolé de Severino Chorró ou do sorvete Maguary na Beijo Gelado. E a noite, a boa mesa podia ser na lanchonete de Juarez e Rui (Bom Gosto), no barraco de Faustino e sua tradicional carne com dois ovos ou no Kaikosão, trailer estacionado em frente à Casa do Esporte com sanduíches que lembravam os nomes das árvores nativas da região (juazeiro, oiticica, pereiro, etc.).

A avenida mais famosa da cidade também era – e continua a ser – endereço da moda. Desde as bancas do Mercado Público a lojas tradicionais de tecidos e confecções como Casa Esperança e Neném de Cacá. Também era a avenida dos eletrodomésticos e brinquedos: Pernambucanas; A Sertaneja; Eletrolar; J. Ribamar. Das variedades, de Cobra Choca no Mercado, passando pelas Casas Sem Nome e Universo, ainda presentes, ali bem perto do BANDERN. Opa! O BANDERN também era lá e tanta gente boa trabalhava na Agência de Caicó! Aliás, também era a mesma artéria da extinta TELERN, que tinha balcão de atendimento presencial, cabines telefônicas e orelhões disponíveis na cidade.

A Avenida Coronel Martiniano, como nossa maior referência comercial e metro quadrado mais caro da cidade, abrigava, nos anos 80, estabelecimentos dos mais diversos: Supermercado Servbem; Concessionária FIAT Brejuí; Cruz de Ouro Joias; Casa Progresso; Chicuto dos confeitos e depois Comercial Santiago; Revistão; Livraria Paraibana; Armazém Costa; C. Toscano & Filhos; Hotel Regente; Hotel Vila do Príncipe; Laboratórios Manoel Dias e Inácio Gomes; Comercial Carlos Magno; Cartório de Zé Dias; Comase; Cigarreira de Sargento Bezerra (depois, Ciriaco); Foto de Sônia; Salão de Marli Felix; Cervejaria Mustang; Vídeo Master; O Alumínio; Gráfica Santana; Gráfica de Pedro Neto; Gráfica Nossa Senhora do Patrocínio; Panificadora Bonsucesso; Armazém de Bosco; Armazém de Ceuzinha; Café Bangu; Chicão Barbeiro; Loteria Medeiros e Dantas; Barbearia de Divaldo; Dan-Metal irrigação; Rádio A Voz do Seridó; Cine Rio Branco; Farmácia Santa Luzia; Ciclipeças; Farmácia São Jorge; Ótica Graciosa; ASSEC, dentre tantos outros empreendimentos. Alguns permanecem; outros foram transformados ou fechados, mas, em todos, o tino comercial do caicoense que, diante das adversidades, se reinventa.

Mesmo, certamente, esquecendo alguém que ali fez história no comércio ou na prestação de serviços, lembro mais alguns – já transformados em saudade - que atuaram em nossa mais famosa avenida: Ademar, Severino e Bino Costa; José Cassiano; Dorgival Fernandes; Camilo Garcia Dantas; Dirceu Pereira Fontes; Mirabeau Medeiros; Mário Viola; Francisco Toscano; João Bosco de Medeiros; José Augusto Dias; Antonio Gomes; Elísio Araújo, Delmiro Nery; Alci Silva; José Cícero de Azevedo... Muitos outros empreendedores por ali passaram e tantos outros caicoenses foram conhecidos e competentes comerciários. Todos merecem reconhecimento!

A avenida de todos os caicoenses também é, finalmente, cenário dos acontecimentos mais importantes da cidade (carnaval, sete de setembro, campanhas eleitorais, etc), especialmente, o lugar de uma das mais belas fotos da Procissão de Santana, onde passos firmes ou trôpegos se apertam na mesma caminhada em busca da velha Catedral para nela, ao final de tudo, renovar a esperança que é comum a todos nós: "para o ano hei de voltar!".

*Fernando Antonio Bezerra é potiguar do Seridó

- Com post exclusivo da página do Bar de Ferreirinha

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