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domingo, 9 de agosto de 2026

PREPAREM-SE PARA UMA NOITE INESQUECIVEL

 Por Fernando Luiz*

Na próxima quinta-feira, dia 13, às 19h30, o auditório Onofre Lopes, da Escola de Música da UFRN será palco de um evento de suma importância para a memória musical do Rio Grande do Norte:  o Show “Várias Vozes, Um Só Canto - Especial Instrumental”. O espetáculo, que reunirá grandes nomes da música instrumental potiguar, será uma homenagem a Tico da Costa, cuja obra musical é um verdadeiro tesouro da música potiguar.

Tico da Costa, nascido em Areia Branca, teve uma trajetória musical que levou, através da sua obra multifacetada, o nome do nosso estado para diversos países, ao lançar inúmeros álbuns durante 40 anos de uma carreira marcada por uma versatilidade extraordinária, na qual ele lançou inúmeros discos e se apresentou em diversos países.

Ao longo dos quarenta anos em que construiu uma carreira fora do Brasil, Tico da Costa tornou-se o mais internacional dos artistas potiguares, fazendo turnês na Europa, nos Estados Unidos, na América Central, na América do Sul e na África. Antes de se mudar para a Itália, o talentoso potiguar percorreu o Nordeste brasileiro fazendo shows em teatros, universidades e escolas, desenvolvendo um estilo versátil e criativo que deixava as plateias encantadas. 

Compositor extraordinário, Tico se inspirava no cotidiano para compor suas canções, nas quais misturava elementos dos ritmos nordestinos com a Bossa Nova e o Chorinho. Excelente músico, intérprete e violonista, ele também compunha músicas instrumentais, construindo em sua trajetória um trabalho consistente e extraordinário, fascinando o público e os críticos como músico, compositor, intérprete e violonista. 

Desde sua primeira edição até hoje, o show “Várias Vozes, Um Só Canto” reuniu  mais de 700 artistas entre bandas de música, coros, cantores, atores, poetas, bandas filarmônicas, orquestras e músicos locais, nacionais (como Toninho Horta) e internacionais, banda de cordas da Itália do seu último trabalho em 2009, assim como o seu produtor e musicista nos Estados Unidos Olivier Glissant e a cantora francesa Do Montebello. O show, além de manter o compromisso anual de manter viva a chama da obra do músico Tico da Costa (desde a sua partida em 2009), já faz parte do calendário cultural da nossa cidade e do nosso Estado.

Na próxima quinta-feira, o espetáculo em homenagem a Tico da Costa terá a direção musical de Eduardo Taufic, que também será responsável pelos arranjos e estará à  frente de uma banda formada por ele próprio nos teclados, com Airton Guimarães no contrabaixo acústico, Darlan Marley na bateria e Ramon Gabriel nas percussões.

O tributo “Várias Vozes, Um Só Canto” - que chega à sua 13ª edição -, reunirá no palco do auditório Onofre Lopes nove talentosos instrumentistas do nosso estado:  Bruno Cirino na sanfona, Bruno de Lira no bandolim, Carlos Zens na flauta, Dyana Alves no violino, Eugênio Lima no violão, Jotapê no clarone, Paulo Silva no sax alto, Pedro Paulo no cavaquinho e Raquel Oliveira no sax soprano.

A poetisa Deth Haak será a responsável pela condução do espetáculo, como ocorreu nas edições anteriores. Além de músicas que fazem parte dos diversos álbuns que Tico da Costa lançou ao longo dos seus 40 anos de carreira nos Estados Unidos, Itália e Brasil, o tributo também terá músicas instrumentais inéditas do compositor. 

Até hoje já foram realizadas doze edições anuais ininterruptas do Show "Várias Vozes, Um Só Canto" em Natal e algumas cidades do interior do estado Rio Grande do Norte, com espaços sempre lotados, atingindo um público de mais de 14.000 pessoas 

O Show “Várias Vozes, Um Só Canto - Especial Instrumental” é uma realização da Tico da Costa Produções e do Coletivo O Canto do Tico; conta com o apoio da EMUFRN e UFRN e com as parcerias da Arte Musical, De Oliveira Produções Musicais, Marreco Filmes, Inove e Poesia na Cabeça.

A obra monumental de Tico da Costa, embora tenha reconhecimento internacional, passou despercebida de grande parte dos potiguares. Agora chegou a hora de assistir, sem pagar nada, a um espetáculo musical precioso e com com grandes instrumentistas no qual se homenageará um artista a quem nosso estado deve muito. 

Com certeza, será uma noite inesquecível. Vamos lá!

Instagram: @fernandoluizcantor

*Fernando Luiz: Cantor, compositor, escritor e produtor cultural. Formado em Gestão Pública, apresenta o programa Talento Potiguar, aos sábados, às 12h na TV Clube RN


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sábado, 8 de agosto de 2026

“Oi pessoinha distinta, quer um siquilhinho”; Quem não se lembra?

 Doce Sequilhinho, quem não há de se lembrar?

Por João Bosco de Araújo

Jornalista ▶ boscoaraujo@assessorn.com  

Os caicoenses perderam terça-feira (27)*, uma figura folclórica muito querida entre tantas outras que a cidade conheceu nos últimos oitenta anos. Luiz Teixeira Dantas, seu nome de registro. Evidente que ninguém vai saber de quem se trata. Porém, ao se pronunciar Sequilhinho, todos logo saberão quem é. Sua voz mansa e carinhosa soava nas ruas de Caicó, idos atrás. De porta em porta saia oferecendo a venda de seus biscoitos, os deliciosos sequilhos, feitos de goma de mandioca.

“Olha o siquilhinho, meus amorzinhos”, gritava baixinho, e satisfeito pela compra aceita, retribuía sorrindo: “Obrigado, pessoinha distinta”.

Sequilhinho era realmente uma pessoa distinta, imune a malícia de seus semelhantes. Desprovido de posses financeiras, assim mesmo nunca deixava de participar das festas de rua, sempre bem alinhado, de camisa bem engomada e calça de linho. Os sapatos, bem engraxados. Às vezes, um pouco maior da medida do pé, mas não o impedia de dar uns passinhos de dança na praça da seresta da festa de Sant’Ana.

Sua alegria contagiava a todos, mesmo nesses últimos tempos com a idade já avançada e com sinais do Mal de Parkinson. Católico, desfilava vestido de branco na procissão de Sant’Ana e na Festa de Nossa Senhora do Rosário. Adorava assistir missas. E visitar os estúdios da rádio Rural para ouvir o locutor anunciar o seu nome.

Sem maldade no coração, feito uma criança, na madrugada-manhã desta terça, seu coração, cansado, resolveu não mais bater, parando e calando a voz que os caicoenses acostumaram a ouvir nas calçadas de suas casas, praças e avenidas: Olha o siquilhinho!

Aos setenta e sete anos, seu corpo foi sepultado em uma cova de cemitério nesta data de 28 de maio, mês de Maria, a mãezinha assim como ele a tratava, confiando-lhe na terra a sua purificação. Que Deus o tenha no Reino da Glória!

Na terra de Sant’Ana, quem não há de lembrar-se de um doce Sequilhinho?

*Sequilhinho morreu há 18 anos, no dia 27 de maio de 2008/Publicado no Diário de Natal e blogs da região no seu sepultamento.

Imagem retirada do instagram caicooficial em um evento de dança de rua 

e atualizada com ajuda de IA  

- Postagens anteriores em Assessorn.com: 2013 e 2015.

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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Monsenhor Antenor um estrondo de fé e devoção à Sant'Ana de Caicó

 Nem bem terminou a festa da padroeira, Caicó recebe a triste notícia do falecimento do Monsenhor  Antenor Salvino de Araújo, Pároco Emérito da Paróquia de Sant'Ana, na manhã desta quarta-feira (5), aos 96 anos, perto dos 97, porque nascera no dia 22 de agosto de 1929.

Em toda a sua vida de sacerdote - ordenou-se padre em 1960 - dedicou-se fielmente à sua igreja e diocese seridoense, mas foi na Paróquia da Catedral que marcou sua permanência por quase meio século, fortalecendo a fé e devoção à padroeira transformando a Festa de Sant'Ana em um "estrondo" por sua grandiosidade ao longo dos anos. 

A informação da morte do monsenhor foi divulgada por meio de nota assinada pelo bispo diocesano de Caicó, Dom Antônio Ranis Rosendo dos Santos, que manifestou pesar pelo falecimento e agradeceu pelo testemunho de fé, dedicação e serviço prestado pelo religioso à Igreja e ao povo de Deus ao longo do ministério sacerdotal. A Diocese também prestou solidariedade aos familiares, amigos e fiéis que lamentam a morte do monsenhor. “Confiando sua alma à infinita misericórdia do Senhor”, ressalta trecho da nota (confira foto). 

O velório será no Santuário do Rosário, a partir das 14h, e conforme foi divulgado, às 22h o cortejo fúnebre seguirá do Santuário do Rosário até a Catedral de Sant’Ana, onde o corpo permanecerá durante toda a noite, para a despedida dos fiéis, e na manhã da quinta-feira (6), às 8h, será celebrada a Missa de Corpo Presente na Catedral de Sant’Ana, em seguida acontece a cerimônia e o sepultamento em uma urna na própria catedral.

O Monsenhor Antenor apresentava doença de Alzheimer, mas não foi divulgado oficialmente a causa do óbito.

Por todo o dia as redes sociais e blogs da região se dedicaram a divulgar o ocorrido e o hino de Sant'Ana se destacou "estrondosamente"!


Vídeo reproduzido do perfil do Instagram do Padre Gleiber, por meio de assessorn


Atualizado nesta 5a.feira (6) com a cerimônia de sepultamento:





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domingo, 2 de agosto de 2026

O beijo na santa, a fé em Sant’Ana

 Por João Bosco de Araújo*

Jornalista ▶ boscoaraujo@assesorn.com

Sentada em seu trono, lá está a Senhora doce e clemente Sant’Ana, mãe da graça e do perdão. Aos seus pés, lá estava meu pai, Pedro Salviano de Araújo, a beijar a Santa naquele domingo à tarde, último dia da festa e hora da procissão. O interior da igreja lotado de peregrinos e devotos aguardando enquanto não chegava o momento da imagem sair em procissão. 

Todos os anos, o beijo na santa, a urna no chão, a mão no bolso, a quantia depositada, nunca revelada, seus segredos guardados. Eu, pequeno a lhe admirar tão grande na fé a nos ensinar. Todos os dias a se perpetuar. Minha avó materna Luzia Tavares após ficar velhinha já não podia ir à igreja, mas sempre depositava no genro o valor do beijo da Santa, creditando confiança na tradição.        

Fora da Catedral, todos a cantar: Salve, Sant’Ana gloriosa, Nosso amparo e nossa luz/ Salve, Sant’Ana ditosa, Terno afeto de Jesus/, e todos a repetir num coro de vozes, e lá estava ele, cabelos brancos, com muitas outras mãos a segurar o andor coberto de flores e uma multidão coberta de fé, enchendo as ruas de minha cidade por onde ia passando. Ao longo das avenidas, a imagem gloriosa deslizava sobre as pessoas a suplicar não nos desampare, não nos abandone!    

Meu pai repetiu essa tradição por toda a sua vida e ao findar do dia da festa ele retornava ao seu lugar. Foi lá onde aprendera com sua mãe Virgínia a praticar o ofício da oração. Minha vó Gina, por sua vez, herdou tamanha fé de sua avó Aninha do Umbuzeiro. Gina de Salviano (Salviano, meu avô) enchia sua casa de devotos para rezar o Terço. Eram pessoas vindas das redondezas, montadas em burros e cavalos, ou mesmo a pé, na esperança de encontrar na fé uma resposta para o conforto da alma e da vida difícil do sertanejo sofrido, sem os olhos dos poderes constituídos, a não ser do poder que poderia vir dos céus. 

Reza a lenda sertaneja que a fé de um vaqueiro atacado por um touro bravo em plena caatinga fez ele acreditar que se salvo fosse da fúria daquele animal, construiria uma capela em devoção à Senhora Sant’Ana, hoje a Catedral de Sant’Ana, Padroeira de Caicó, cuja festa data desde meados do século 18, hoje com 260 anos.

Mas a devoção a Sant’Ana espalhou-se e passeou a ser considerada a padroeira do povo seridoense, embora essa fé seja do sertanejo nordestino que adotou em sua fala o nome Sant’Ana para designar o mês de julho. Em território potiguar, como padroeira, a avô de Jesus é homenageada no Seridó em quatro municípios, Caicó, Currais Novos, Santana do Matos e Santana do Seridó; no Oeste, em Campo Grande e Luis Gomes, além das cidades de São José de Mipibu e Passagem, no Agreste, e em duas localidades de Natal, na Zona Norte, no conjunto Soledade II e na Zona Sul, no bairro de Capim Macio.

Um fato importante, me contado pelo professor Galvão Celestino, que há cinqüenta anos era o vigário da Catedral, segundo o qual na época foi decidido mudar o final da festa dos caicoenses, que passou desde então a ter data móvel. Enquanto nas outras paróquias a festa se encerra em 26 de julho, dia da santa, em Caicó acontece no último domingo do mês, ou primeiro domingo de agosto, possibilitando a cidade receber mais visitantes. Este ano (2008), coincidentemente, a diferença será de apenas um dia, ou seja, o período será praticamente o mesmo dos outros municípios. Importante, ainda, é o fato do povo católico carregar consigo a fervorosa fé em Sant’Ana.

Imagem de Sant'Ana antes de sair na procissão 

*Texto publicado há 18 anos no Diário de Natal, em julho de 2008.


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